"E, o Senhor dos exércitos dará neste monte a todos os povos um
banquete", e, continua dizendo, "e destruirá neste monte a coberta que
cobre todos os povos, e o véu que está posto sobre todas as nações.
Aniquilará a morte para sempre, e assim enxugará o Senhor Deus as
lágrimas de todos os rostos, e tirará de toda a terra o opróbrio do seu
povo; porque o Senhor o disse" (Is 25.6a, 7, 8).
No relato de Lucas houve um homem que fez referência a essa Ceia Messiânica, dizendo a Jesus o seguinte:
"Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus".
Com essa palavra, ele deu ocasião para que Jesus contasse um midrash,
uma parábola, uma pequena história, uma ilustração sobre quem tem
direito de participar do futuro banquete com o Messias. E aqui está a
história que Jesus contou: um homem quis dar um banquete, convidou os
amigos, e eles começaram a dar desculpas. Um não podia ir porque havia
comprado um campo; o outro, porque havia comprado cinco juntas de boi e
precisava experimentá-los; o outro não podia ir porque havia casado. É;
cada um apresentou o que considerava ser uma importante desculpa.
É necessário explicar que o homem ficara indignado porque o convite era
feito muito antecipadamente. Mas havia um detalhe: não se sabia a hora
da festa. Quando chegasse a ocasião, o convidado seria comunicado, e foi
o que aconteceu :
"E à hora da ceia mandou o seu servo dizer aos convidados: Vinde, porque tudo já está preparado". Aceitar o convite, e não comparecer, seria considerado uma grave injúria ao anfitrião, um sério insulto.
Na história, os convidados deram suas excusas: um estava com suas
terras, o outro estava envolvido com o seu gado, e o terceiro com a
família. Naturalmente, para eles os envolvimentos particulares tinham
prioridade sobre o convite, e deram desculpas. Razões tremendamente
ilógicas, fracas de argumento, e, até, insultuosas, porque dizer
"Não vou ao seu banquete porque eu preciso ver as terras; não vou ao banquete porque vou olhar o boi que comprei" era um insulto! E vejam a razão:
"Comprei um campo, e preciso ir vê-lo; peço que me desculpe".
A desculpa é fraca porque esse homem era um mentiroso. É uma questão de
senso comum tanto aqui quanto no Oriente Médio, pois ninguém compra uma
fazenda, um trato de terra sem antes conhecer cada metro quadrado.
Ninguém compra terreno sem olhar antes, e foi o que esse homem fez. Um
certo comentarista da Palavra de Deus até diz que muitas vezes a compra
de uma fazenda requer, no Oriente, anos de negociação, mesmo porque os
orientais são extremamente pechincheiros. Comprar no Oriente, é uma mão
de obra, uma verdadeira arte. É como se hoje alguém dissesse,
"Não posso ir a sua festa porque eu comprei uma casa pelo telefone",
sem olhá-la, sem saber se prestava, suas divisões internas. Além disso,
as ceias eram realizadas no fim da tarde, de modo que haveria tempo
suficiente durante o dia para que o homem fosse olhar a fazenda que
havia comprado.
Mentiroso!...
O outro homem disse,
"Comprei cinco juntas de bois, e vou experimentá-los; peço que me desculpe".
Essa é outra desculpa ridícula! Porque ninguém vai comprar juntas de
boi (são dois bois trabalhando num arado), sem testar antes se os
animais poderiam trabalhar um com o outro. Ninguém pegava um boi aqui e
outro ali e os colocava juntos, não, porque nem sempre podiam trabalhar
em harmonia, um ajustado ao outro. É como se alguém ligasse para casa, e
dissesse:
"Não vou jantar hoje em casa porque comprei cinco carros usados pelo telefone, e vou olhar para ver se prestam". Ninguém faz isso!
A terceira desculpa ("Casei-me e portanto não posso ir") parece ser a
mais coerente, e até ficamos querendo desculpar o homem que se casou e
disse que não podia ir ao banquete do outro porque, naturalmente, o lar é
de suprema importância no ensino do evangelho. Mas, a família não foi
instituída para ser utilizada de modo egoísta. Jesus, de qualquer modo,
mostrou na história que essa desculpa não era a mais adequada.
AS LIÇÕES DA PARÁBOLA
Ela nos lembra que o convite do Senhor é para uma festa tão alegre
quanto um banquete pode ser. Estamos sendo convidados para a Ceia
Messiânica! Quando celebramos a Ceia do Senhor temos uma prévia desse
banquete em apenas dois elementos: um pedacinho de pão e um calicezinho
de fruto da videira; só! No entanto, ficamos tão felizes com esses
poucos elementos, que podemos imaginar como será na Ceia Messiânica com
todos os quitutes à nossa frente, com aquelas iguarias à nossa
disposição! É a festa da salvação!
Na realidade, esse é um convite para a alegria! Não entendemos como pode
alguém participar da Ceia do Senhor com o rosto triste... Aliás, há
quem pense que a Ceia do Senhor é uma recepção fúnebre. É; há lugares
onde há recepção; quando alguém falece, e se vai fazer a
"sentinela",
o velório, há uma mesa onde os participantes vão se deliciar. A Ceia,
apesar de Memorial, não é uma festa fúnebre: é a ceia da alegria! E
temos nela uma pré-estréia do que vai acontecer na Ceia Messiânica!
Evangelho de tristeza, de penúria não pode ser o evangelho do reino de
Deus!
A história lembra também que as coisas que tornam uma pessoa surda ao
convite não são más em si mesmas. Todos compreendem que o homem que
disse ir olhar a fazenda faria algo considerado correto. Todos entendem
que aquele que foi olhar a junta de bois, fez algo adequado. E menos,
ainda, o casamento. São as terras de um, os negócios de outro, a
indústria de alguém, a casa de praia de mais outra pessoa, mas é tão
fácil alguém ficar por demais ocupado, e diria mais tão preocupado com
essa coisas boas que Deus concede, com o agora que se esquece da
eternidade, que se esquece do Deus-que-concede, que se preocupa tanto
com o visível, que se esquece daquele que ele não vê!
A história nos lembra, igualmente, que Jesus exemplifica o que nós
perdemos quando não O seguimos E a real tragédia é perder a alegria do
banquete messiânico, a alegria da presença de Jesus Cristo, a alegria da
eternidade.
A história nos recorda outra coisa; é que o convite é o da graça do
Criador. E o conceito que Jesus enfatizou é a oferta gratuita da
misericórdia de Deus, e, por isso, a porta é aberta, e nesse momento em
que a porta se tornou aberta, foram convidados aqueles que
antecipadamente não tinham sido convidados.
Ah, meu amigo querido, tudo está pronto! É o que diz a Bíblia. A você
nada resta a fazer a não ser aceitar participar desse banquete
messiânico. O dever dos servos (e aqui estamos nós, os servos do Senhor)
é chamar, é insistir, é dizer a todos, é enfatizar o
"vinde!" que está no verso 17:
"Vinde, porque tudo já está preparado". Esse é o nosso dever; a você só compete o atender esse convite!