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| Bíblia - Sobrevivendo as perseguições |
HISTORIA DA IGREJA
A História da Igreja tem sido sempre, desde o seu nascimento até o presente, a história da graça de Deus para com o homem. Antes
de adentrarmos no estudo dos vinte séculos em que a igreja de Cristo
tem estado em atividade, veremos os grandes acontecimentos, os quais
servem como divisória, e cada um deles assinala o término e início de
uma época.
Considerando cada um destes acontecimentos, sete ao todo, veremos que eles indicam os grandes períodos da História da Igreja.
I A pré-existência da Igreja
II A Igreja apostólica
III As Perseguições Imperiais
IV A Igreja Imperial
V A Igreja medieval
VI A Igreja Reformada
VII A Igreja atual
I A PRÉ-EXISTÊNCIA DA IGREJA
A ) A ORIGEM DA IGREJA
A igreja de Cristo sempre existiu na mente e coração do Pai, desde antes da fundação do universo.
Efésios
1 : 4 Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que
fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;
I
Pedro 1 : 20 O qual, na verdade, em outro tempo foi conhecido, ainda
antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos por
amor de vós;
O
plano de Salvação estava traçado por Deus desde o eterno passado. O
sacrifício fora feito antes da fundação do universo, isto é, antes mesmo
de ser efetuado no calvário, o cordeiro já era conhecido pelo Pai.
Em
uma ordem lógica, podemos admitir que : Deus fundou a Igreja, Jesus
Cristo formou a Igreja e o Espírito Santo confirmou a Igreja. Assim, o
projeto no coração de Deus, a formação pelo ministério de Cristo e a
confirmação, no dia de Pentecostes, pelo poderoso derramamento do
Espírito Santo.
B ) A FUNDAÇÃO DA IGREJA
Efésios
3 : 9 E demonstrar a todos qual seja a dispensação do mistério, que
desde os séculos esteve oculto em Deus, que tudo criou por meio de Jesus
Cristo;
A
Igreja que antes era um mistério " oculta em Deus " fora revelada em
Cristo, tornando-se o " segredo de Deus " conhecido aos homens. A
expressão " oculto em deus " indica que a igreja esteve sempre na mente
de Deus, e vindo a ser conhecida pelo ministério terreno de Jesus Cristo
e o Espírito Santo.
A Igreja de deus, começou a formar e revelar-se no tempo, quando João Batista disse; Eis o Cordeiro de Deus. João 1:36.
C ) O NASCIMENTO DA IGREJA
A
Igreja de Cristo iniciou sua história com um movimento de âmbito
mundial, no dia de Pentecostes, cinqüenta dias após a ressurreição, e
dez dias depois da ascensão do Senhor Jesus Cristo.
Na manhã do dia de Pentecostes.
- 120 seguidores de Jesus oravam reunidos
- Línguas de fogo desceram sobre eles
- Falaram em outras línguas
O tríplice efeito do Pentecostes
- Iluminou a mente dos discípulos
- Compreenderam que o Reino não era político
- Deveriam estar totalmente na dependência do espírito Santo
D ) A PLENITUDE DO TEMPO
Gálatas 4 : 4 Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
A
Palestina onde o cristianismo deu seus primeiros passos ocupava uma
posição geográfica privilegiada pois ocupava uma área onde era a
encruzilhada das grandes rota comerciais que uniam o Egito à
Mesopotâmia, e a Arábia com a Ásia Menor. Por isso vemos na história
descrita no Velho Testamento, esta área tão cobiçada sendo invadida por
vários impérios.
A
língua predominante na época era o grego. Uma língua universal, apesar
do império dominante ser o império Romano, que unia em um só governo boa
parte do mundo conhecido. Era um governo pacífico e próspero e suas
cidades estavam em progresso e viajar não era mais difícil pois muitas
estradas foram construídas.
Apesar
de haver muitas religiões e filosofias ( A política dos romanos era, em
geral, tolerante em relação a religião e aos costumes dos povos
conquistados. ) o mundo estava vazio espiritualmente, Assim o mundo
estava pronto para a recepção de uma nova religião.
A
"plenitude do tempo" não quer dizer que o mundo estivesse pronto a se
tornar cristão, mas quer dizer que, nos desígnios de Deus, havia chegado
o momento de enviar o seu filho ao mundo.
II A IGREJA APOSTÓLICA
Desde a Ascensão de Cristo, 30 AD até o final do século ( 100 AD )
A ) O CRESCIMENTO DA IGREJA
Atos 5 : 14 E a multidão dos que criam no Senhor, tanto homens como mulheres, crescia cada vez mais.
Atos
6 : 7 E crescia a palavra de Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito
o número dos discípulos, e grande parte dos sacerdotes obedecia à fé.
A
arma usada pela igreja, através da qual a igreja crescia
demasiadamente, era o testemunho de seus membros. Enquanto aumentava o
número de membros aumenta o número de testemunhas, pois cada membro era
um mensageiro de Cristo.
Os motivos desse crescimento foi :
- Perseveravam na doutrina dos apóstolos
- Perseveravam na comunhão e partir do pão
- Perseveravam na oração
- Possuíam temor
- Muitos sinais e maravilhas se faziam
- Muita alegria e sinceridade
Atos 2 : 41 - 47
A
Igreja Pentecostal era uma igreja poderosa na fé e no testemunho, pura
em seu caráter, e abundante no amor. Entretanto, o seu defeito era a
falta de zelo missionário. Foi necessário o surgimento de severa
perseguição, para que se decidisse a ir a outras regiões.
B ) A EXPANSÃO DA IGREJA
Atos 8 : 4 Mas os que andavam dispersos iam por toda a parte, anunciando a palavra.
Na
perseguição iniciada com a morte de Estevão, a igreja em Jerusalém
dispersou-se por toda a terra. Alguns chegaram até Damasco e outros até a
Antioquia.
Por qual motivo sobreveio então as perseguições ?
Marcos 16 : 15 E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura.
A partir desta perseguição, os cristãos fugiam, porém pregavam o evangelho e testemunhavam das maravilhas que Jesus operava.
C ) A ERA SOMBRIA
A
última geração do primeiro século, a que vai do ano 60 ao 100 AD,
chamamos de "Era Sombria", em razão de as trevas da perseguição estarem
sobre a igreja, e a falha de muitas informações sobre este período.
Perseguição sob Nero
Nero chegou ao poder em 54, todos os que se opunham à sua vontade, ou morriam ou recebiam ordens de se suicidar.
Assim
estavam as coisas quando em 64 AD aconteceu o incêndio em Roma. Diz-se
que foi Nero, quem ateou fogo à cidade, Contudo essa acusação ainda é
discutível. Entretanto a opinião pública responsabilizou Nero por esse
crime. Afim de escapar dessa responsabilidade, Nero apontou os cristãos
como culpados do incêndio de Roma, e moveu contra eles tremenda
perseguição. O fogo durou seis dias e sete noites e depois voltou a se
acender em diversos lugares por mais três dias.
- Milhares de cristãos foram torturados e mortos.
- Muitos serviram de iluminação para a cidade, amarrados em postes e ateado fogo.
- Muito foram vestidos com peles de animais e jogados para os cães.
- Nesta época morreram :
- Pedro - Crucificado em 67
- Paulo - Decapitado em 68
- Tiago - Apedrejado depois de ser jogado do alto do templo
Além de matá-los fê-los servir de diversão para o público.
A Perseguição sob Domiciano
No
ano 81 Domiciano sucedeu ao imperador Tito que invadira destruíra
Jerusalém no ano 70. Com a destruição de Jerusalém Domiciano ordenou que
todos os judeus deviam enviar à Roma as ofertas anuais, que eram
enviadas a Jerusalém, estes, por sua vez não obedeceram, o que
desencadeou a segunda perseguição, não somente aos judeus mas também aos
cristãos.
Durante
esses dias milhares de cristão foram mortos, especialmente em Roma e em
toda a Itália. Nesta época o apóstolo João, que vivia em Éfeso, foi
preso e exilado na ilha de Patmos, foi quando recebeu a revelação do
Apocalipse.
III AS PERSEGUIÇÕES IMPERIAIS
Este período vai da morte do Apóstolo João, ano 100 AD até o Edito de Constantino, ano 313 AD.
O
fato de maior destaque na História da Igreja neste período foi, sem
dúvida, as perseguições realizadas pelos Imperadores Romanos. Estas
perseguições duraram até o ano 313 AD, quando Constantino, o primeiro
Imperador Romano, " cristão ", fez cessar todos os propósitos de
destruir a Igreja.
A de ressaltar que durante este período houve épocas em que as perseguições foram mais amenas.
No
início do segundo século, os cristãos já estavam radicados em todas as
nações e em quase todas as nações, e alguns crêem que se estendia até a
Espanha e Inglaterra. O número de membros da comunidade cristã subia a
muitos milhões. A famosa carta de Plínio ( Governador da Bitínia - hoje
Turquia ) ao Imperador Trajano, declara que os templos dos deuses
estavam quase abandonados, enquanto os cristãos em toda parte formavam
uma multidão, e pertenciam a todas classes , desde a dos nobres, a até a
dos escravos.
Os Motivos das perseguições
-
O Paganismo em suas práticas aceitava as novas formas e objetos de
adoração que iam surgindo, enquanto o Cristianismo rejeitava qualquer
forma ou objeto de adoração.
-
A adoração aos ídolos estava entrelaçada com todos os aspectos da vida.
As imagens eram encontradas em todos os lares, e até em cerimônias
cívicas, para serem adoradas. Os cristãos, é claro, não participavam
dessas formas de adoração. Por essa razão o povo considera os cristãos
como " Anti-social e ateus que não tinham deuses.
-
A adoração ao Imperador era considerada como prova de lealdade. Havia
estátuas dos imperadores reinantes nos lugares mais visíveis para o povo
adorar. Os cristãos recusavam-se a prestar tal adoração.
-
As reuniões secretas dos cristãos despertaram suspeitas. De praticarem
atos imorais e criminosos, durante a celebração da Santa Ceia, eram
vetada a entrada dos estranhos.
-
O Cristianismo considerava todos os homens iguais. Não havia distinção
entre seus membros, nem em suas reuniões, por isso foram considerados
como " niveladores da sociedade ", portanto anarquistas, perturbadores
da ordem social.
Os Perseguidores
Imperador
Trajano 98 a 117 AD - Estabeleceu a Lei, que sendo cristão acusado de
qualquer coisa e não negar fé, será castigado, não tendo acusação estão
livres. Mandava crucificar e lançar às feras.
Imperador Adriano 117 a 138 AD - Morreu em agonia, gritando, " Quão desgraçado é procurar a morte e não encontrar ".
Imperador
Marco Aurélio 161 a 180 AD - Mandava decapitar e lançar às feras.
Apesar de possuir boas qualidades como homem e governante justo, contudo
foi acérrimo perseguidor dos cristãos. Opunha-se, pois, aos cristãos
por considerá-los inovadores. Milhares foram decapitados e devorados
pelas feras na arena. Os Imperadores acima mencionados, foram
considerados como os " bons imperadores ", nenhum cristão podia podia
ser preso sem culpa definida e comprovada. Contudo, quando se comprovava
acusações e os cristãos se recusavam a retratar-se, os governantes eram
obrigados, a por em vigor a lei e ordenar a execução.
Imperador
Severo 193 a 211 AD - Mandava decapitar e lançar às feras. Iníciou uma
terrível perseguição que durou até à sua morte em 211 AD. Possuía uma
natureza mórbida e melancólica; era muito rigoroso na execução da
disciplina. Tão cruel fora o espírito do imperador, que foi considerado
por muitos como o anticristo.
Imperador
Décio 249 a 251 AD - Décio observava com inveja o poder crescente dos
cristãos, e determinou reprimi-lo. Via as igrejas cheias enquanto os
templos pagãos desertos. Por conseqüencia, mandou que os cristãos tinham
que se apresentar ao Imperador para comunicar e religião. Quem
renunciava recebia um certificado, que não renunciava era considerado
criminoso e conduzidos às prisões e sujeitos às mais horrorosas
torturas.
Imperador
Diocleciano 305 a 310 - A última, a mais sistemática e a mais terrível
de todas as perseguições deu-se neste governo. Em uma série de editos
determinou-se que : - Todos os exemplares da Bíblia fossem queimados. -
Todos os templos construídos em todo o império durante meio século,
fossem destruídos. - Todos os pertencentes as ordens clericais fossem
presos. - Ninguém seria solto sem negar o Cristianismo. - Pena de morte
para quem não adorasse aos deuses. Prendiam os cristãos dentro dos
templos e depois ateva fogo. Consta que o imperador erigiu um monumento
com esta inscrição " Em honra ao extermínio da superstição cristã ".
Os Principais Mártires
Inácio
Provável discípulo de João, bispo em Antioquia, foi condenado no ano
107 AD por não adorar a outros deuses. Foi morto como mártir, lançado
para as feras no anfiteatro romano, no ano 108 ou 110 enquanto o povo
festejava. Ele estava disposto a ser martirizado, pois durante a viagem
para Roma escreveu cartas às igrejas manifestando o desejo de não perder
a honra de morrer por seu Senhor
Policarpo
Bispo em Esmirna, na Ásia Menor, morreu no ano 155. Ao ser levado
perante o governador, e instado para abandonar a fé e negar o nome de
Jesus, assim respondeu: " Oitenta e seis anos o servi, e somente bens
recebi durante todo o tempo, Como poderia eu agora negar ao meu Salvador
? Policarpo foi queimado vivo.
Justino
Mártir Era um dos homens mais competente de sue tempo, e um dos
principais defensores da fé. Seus livros, que ainda existem, oferecem
valiosas informações acerca da vida da igreja nos meados do segundo
século. Seu martírio deu-se em Roma, no ano 166.
Os Efeitos Produzidos pelas Perseguições
As
perseguições produziram uma igreja pura pois conservava afastados todos
aqueles que não eram sinceros em sua confissão de fé. Ninguém se unia à
igreja para obter lucros ou popularidade. Somente aqueles que estavam
dispostos a ser fiéis até a morte, se tornavam publicamente seguidores
de Cristo.
A
Igreja multiplicava-se. Apesar das perseguições ou talvez por causa
delas, a igreja crescia com rapidez assombrosa. Ao findar-se o período
de perseguição, a igreja era suficientemente numerosa para constituir a
instituição mais poderosa do império.
Apesar
de considerarmos as perseguições o fato mais importante da História da
Igreja, no segundo e terceiro séculos, contudo, fatos interessantes
aconteceram neste período que devem ser observados. Vejamos :
O Cânon Bíblico
Os
escritos do Novo Testamento foram terminados, entretanto a formação do
Novo Testamento com os livros que o compõem, como cânon, não foi
imediata. Algumas Igreja aceitavam somente alguns livros como inspirados
e outra igrejas livros diferentes.
Gradualmente os livros do Novo Testamento, tal como usamos hoje, conquistaram a proeminência de escritura inspirada.
O Crescimento e a Expansão da Igreja
O
crescimento e a expansão da Igreja foi a causa da organização e da
disciplina. A perseguição aproximou as Igrejas e exerceu influência para
que elas se unissem e se organizassem. O aparecimento da heresias
impôs, também, a necessidade de se estabelecerem alguns artigos de fé,
e, com eles, algumas autoridades para executá-las.
Outra
característica que distingue esse período é sem dúvida, o
desenvolvimento da doutrina. Na era apostólica a fé era do coração, uma
entrega pessoal a vontade de Cristo. Entretanto no período que agora
focalizamos, a fé gradativamente passara a ser mental, era uma fé do
intelecto, fé que acreditava em um sistema rigoroso e inflexível de
doutrinas. O credo Apostólico, a mais antiga e mais simples declaração
da crença cristã, foi escrito durante esse período.
Nesta
época surgiram três escolas teológicas. Uma em Alexandria, outra na
Ásia Menor e outra na África. Os maiores vultos da historia do
Cristianismo passaram por essas escolas: Orígenes, Tertulianao e
Cipriano
Seitas e Heresias
Juntamente
com o desenvolvimento da doutrina teológica, desenvolviam-se também as
seitas, ou como lhes chamavam, as heresias na igreja cristã. Os cristãos
não só lutaam contra as perseguições , mas contra as heresias e
doutrinas corrompidas.
Os
Gnósticos Do grego "Gnósis = Sabedoria, Conhecimento" Acreditavam que
Deus Supremo é espírito absoluto e causa de todo bem, enquanto a matéria
é completamente má criada por um ser inferior que é Jeová. O propósito é
então escapar deste corpo que aprisiona o espírito. Afim de chegar a
libertação, é necessário que venha um mensageiro do reino espiritual.
Cristo. Cristo portanto não era matéria, possuía somente a natureza
divina.
Os
Ebionitas Do hebraico que significa "Pobre" eram judeus-cristãos que
insistiam na observância da lei e dos costumes judaicos. Rejeitavam as
cartas escritas por Paulo. Eram considerados como apostatas pelo Judeus
não convertidos.
Os
Maniqueus De origem persa, foram chamados por esse nome, em razão de
seu fundador Ter o nome de Mani. Acreditavam que o universo compõe-se do
reino das trevas e da luz e ambos lutam pelo domínio do homem.
Rejeitavam a Jesus, porém criam em um "Cristo celestial".
IV A IGREJA IMPERIAL
Desde o Edito de Constantino, 313 AD até à queda de Roma em 476 AD.
No
ano 305, quando Diocleciano abdicou o trono imperial, a religião cristã
era terminantemente proibida, e aqueles que a professassem eram
castigados com torturas e morte. Logo após a abdicação de Diocleciano,
quatro aspirantes à coroa estavam em guerra.
Os
dois rivais mais poderosos eram Majêncio e Constantino. Constantino
afirmou ter visto no céu uma cruz luminosa com os seguintes dizeres:
"Por este sinal vencerás". Constantino ordenou que seus soldados
empregassem para a batalha o símbolo que se conhece como " Labarum ", e
que consistia na superposição de duas letras gregas, X e P.
Em
batalha travada sobre a ponte Mílvio, Constantino venceu o exercito de
Majêncio e este morreu afogado caindo nas águas do rio. Após este
vitoria Constantino fez aliança com Licínio e posteriormente com
Maximino os outros dois pretendentes a coroa.
Em
323 AD, Constantino alcançou o posto supremo de Imperador, e o
Cristianismo foi então favorecido. Os templos das Igrejas foram
restaurados e novamente abertos em toda parte. Em muitos lugares os
templos pagãos foram dedicados ao culto cristão. Em todo o império os
templos pagãos eram mantidos pelo Estado, mas, com, a conversão de
Constantino, passaram a ser concedido às Igrejas e ao clero cristão.
O
Domingo foi proclamado como dia de descanso e adoração. Como se vê, do
reconhecimento do Cristianismo como religião preferida surgiram alguns
bons resultados, tanto para o povo como para a igreja:
- As perseguições acabaram
- A crucificação foi abolida
- Templos restaurados e muitos construídos
- O infanticídio foi reprimido
- As lutas de gladiadores foram proibidas
Apesar
de os triunfos do Cristianismo haverem proporcionado boas coisas ao
povo, contudo a sua aliança com o Estado, inevitavelmente devia trazer,
como de fato trouxe, maus resultados para a igreja.
- As Igrejas eram mantidas pelo Estado e seus ministros privilegiados, não pagavam impostos, os julgamentos eram especiais.
- Iniciou-se as perseguições aos pagãos, ocorrendo assim muitas conversões falsas.
-
Todos queriam ser membros da Igreja e quase todos eram aceitos. Homens
mundanos, ambiciosos e sem escrúpulos, todos desejavam postos na Igreja,
para, assim obterem influência social e política.
- Os cultos de adoração aumentaram em esplendor, é certo, porém eram menos espirituais e menos sinceros do que no passado.
-
Aos poucos as festas pagãs tiveram seus lugares na Igreja, porém com
outros nomes. A adoração a Venus e Diana foi substituída pela adoração a
virgem Maria. As imagens dos mártires começaram a aparecer nos templos,
como objeto de reverência.
No
ano 363 AD todos os governadores professaram o Cristianismo e antes de
findar o quarto século o Cristianismo, foi virtualmente estabelecido
como religião do Império.
A Fundação de Constantinopla
O
Imperador Constantino compreendeu que a cidade de Roma estava
intimamente ligada à adoração pagã, cheia de templos e estátuas pagãs.
Ele desejava uma capital sob os auspícios da nova religião. Na nova
capital, a igreja era honrada e considerada, não havia templos pagãos.
Logo
depois da fundação da nova capital, deu-se a divisão do império. As
fronteiras eram tão grande que um imperador sozinho não podia defender
seu vastíssimo território.
As Controvérsias
A
Primeira Controvérsia Apareceu por causa da doutrina da Trindade. O
Presbítero Ario de Alexandria defendia a tese de que Jesus era superior
aos homens porém inferior ao Pai, não admitia a existência eterna de
Cristo. Seu principal opositor foi Atanásio também de Alexandria afirma a
unidade de cristo com o Pai e sua divindade.
Constantino
não teve êxito em resolver a questão por isso convocou o concílio de
Nicéia em 325 AD onde a doutrina de Ário foi condenada.
A
Controvérsia de Apolinário Apolinário era Bispo em Laodicéia quando
declarou que a natureza divina tomou lugar da natureza humana de Cristo.
Este Heresia foi condenada no Concílio de Constantinopla em 381 AD.
A
Controvérsia de Nestor Nestor era sacerdote em Antioquia quando se opôs
a aplicação do termo " Mãe de Deus ", a Maria, afirmou que as duas
natureza de Cristo agiam em harmonia. No Concílio de Éfeso em 433 Nestor
foi banido e suas obras foram queimadas e aprovado o termo " Mãe de
Deus "
O Desenvolvimento do poder na Igreja Romana
Roma
reclamava para si autoridade apostólica. A Igreja de Roma era a única
que declara poder mencionar o nome de dois apóstolo como fundadores,
isto é, Pedro e Paulo. A organização da Igreja de Roma e bem assim seus
dirigentes defendiam fortemente estas afirmações. Neste ponto há um
contraste notável entre Roma e Constantinopla. Roma havia feito os
imperadores, ao passo que os imperadores fizeram Constantinopla.
Além
disso Roma apresentava um Cristianismo prático. Nenhuma outra igreja a
sobrepujava no cuidado para com os pobres, não somente com os seus
membros , mas também entre os pagãos. Foi assim que em todo o ocidente o
bispo de Roma, começou a ser considerado como autoridade principal de
toda a igreja.
Foi
dessa forma que o Concílio Calcedônia, na Ásia Menor, no ano 451 AD,
Roma ocupou o primeiro lugar e Constantinopla o segundo lugar.
O Cristianismo Vivo
O
Cristianismo dessa época decadente ainda era vivo e ativo. Devemos
mencionar aqui alguns bispos e dirigentes da igreja nesse período que
contribuíram para manter vivo o Cristianismo.
Atanásio
( 296 - 373 ) Foi ativo defensor da fé no início do período. Ja vimos
como ele se levantou e se destacou na controvérsia de Ário; foi
escolhido bispo de Alexandria. Cinco vezes exilado por causa da fé, mas
lutou fielmente até o fim.
Ambrósio
( 340 - 397 ) Foi eleito bispo enquanto ainda era leigo e nem mesmo
batizado. Converteu-se posteriormente, repreendeu o próprio imperador
(Teodósio) por causa de um ato cruel e mais tarde o próprio imperador o
tratou com alta distinção. Foi autor de vários livros.
João
Crisóstomo ( 345 - 407 ) " Boca de ouro " em razão de sua eloqüência
inigualável, foi o maior pregador desse período. Chegou a ser bispo em
Constantinopla. Entretanto, sua fidelidade, zelo reformador e coragem,
não agradava à corte. Foi exilado e morreu no exílio.
Jerônimo
( 340 - 420 ) Foi o mais erudito de todos. Estudou literatura e
oratória em Roma. De seus numerosos escritos, o que teve maior
influência foi a tradução da Bíblia para o latim, obra que ficou
conhecida como Vulgata Latina, isto é, a Bíblia em linguagem comum, até
hoje usada pela Igreja católica Romana.
Agostinho
( 354 - 430 ) O nome mais ilustre desse período, bispo em Hipona na
África. Escritor de vários livros sobre o Cristianismo e sobre a própria
vida. Porém a fama e a influência de Agostinho estão nos seus escritos
sobre a teologia cristã, da qual ele foi o maior expositor, desde o
tempo de Paulo.
V A IGREJA MEDIEVAL
Este período vai desde a queda de Roma em 476 AD até a queda de Constantinopla, 1453 AD.
PROGRESSO PAPAL
O
termo "papa", significa simplesmente "papai", sendo, portanto, um termo
de carinho e respeito, este termo era usado para qualquer bispo, sem
importar se ele era de Roma. Como Roma era, pelo menos de nome, a
capital do Império, a igreja e o bispo desta cidade logo se viram em
posição de destaque.
Quando
os bárbaros invadiram o Império, a igreja de Roma começou a seguir um
rumo bem diferente Constantinopla. No Ocidente, o Império desapareceu, e
a igreja veio a ser a guardiã do que restava da velha civilização. Por
isto, o papa, chegou a Ter grande prestígio e autoridade.
Porém,
enquanto que no Oriente duvidava-se de sua autoridade, em Roma e
vizinhanças esta autoridade se estendia até além dos assuntos
religiosos. Tudo isto nops mostra que em uma época em que a Europa
estava em caos, o papado preencheu o vazio, proporcionando certa
estabilidade.
O
período de crescimento do poder papal começou com o pontificado de
Gregório I, o Grande, e teve o apogeu no tempo de Gregório VII, mais
conhecido por Hildebrando. Hildebrando reformou o clero que se havia
corrompido, elevou as normas de moralidade de todo o clero, exigiu
celibato dos sacerdotes, libertou a igreja da influência do estado, podo
fim à nomeação de papas pelos reis e imperadores. Hildebrando impôs a
supremacia da igreja sobre o Estado.
ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO PAPADO
A
autoridade monárquica do papa, é fruto de um longo processo. De um
bispo igual aos outros, o de Roma passa a ser o primeiro entre os demais
e finalmente cabeça incontestável da Igreja. Vários papas de grande
envergadura, dos quais devemos citar: Inocêncio (402-417); Celestino
(422-432); Leão I (440-461); e Gregório I (590-604).
1.
Até Constantino Os antigos autores católicos tenham insistido que a
Igreja de Roma foi fundada por Pedro e que tenha tido uma linha de
papas, vigários de Cristo, desde então. Oscar Cullmann, teólogo
protestante, examina detalhadamente a questão de Pedro ter estado em
Roma. Conclui que estava lá e lá foi martirizado. Nega entretanto que
tenha fundado a Igreja ou passado seus direitos aos bispos subsequentes.
A
lista dos primeiros bispos consta destes nomes: Lino, Cleto ou
Anacleto, Clemente (91-100), Evaristo, Alexandre(109-119), Sixto I
(119-127), Telesforo (127-138), Higino (139-142), Pio I (142-157),
Aniceto (157-168), Soter (168-177), Eleutero (177-193). Estas datas são
aproximadas e temos poucas informações do seu pontificado.
Vitor (193--202). Parece ser o primeiro a procurar estabelecer a autoridade papal além das fronteira de sua igreja.
Cipriano.
Bispo em Cartago durante o pontificado de Cornêlio e Estevão,
contribuiu bastante para fortalecer a autoridade do bispo de Roma.
Defendeu as reivindicações petrinas (Mt:16:18) sem entretanto colocar o
papa sobre os demais bispos.
Estevão (253-257). Procurou forçar as demais igrejas a seguir o costume romano quanto ao cálculo da data da páscoa.
Um
outro elemento que contribuiu para fortalecer a posição de Roma neste
período foi a crescente prática das igrejas rurais ou de pequenas
cidades serem relacionadas a alguma igreja em cidade grande ou
incorporadas num sistema diocesano. Esta prática começou no II século
como resultado do sistema missionário das igrejas mães.
2. De Constantino a Gregório Magno
A
oficialização da Igreja trouxe em seu bojo rápido desenvolvimento
hierárquico. Constantino se considerava bispo e até bispo dos bispos em
coisas formais e até doutrinárias. Sem sua permissão não se pode reunir
um sínodo.
Roma
surge como árbitro entre as igrejas. No conflito entre os arianos e
Atanásio, este contribuiu para fortalecer Júlio por ter recorrido ao
bispo de Roma, pedindo que convocasse um concílio. Esta e outras
questões entre as igrejas do leste e da África foram exploradas pelos
papas para fortalecer suas próprias posições. Assim questões religiosas
seriam resolvidas pelo "sumo-pontífice"de religião e não pelos
magistrados civis.
Siricius
(354-398). Conseguiu que um concílio realizado em Roma decretasse que
nenhum bispo deve ser consagrado sem o conhecimento e consentimento do
bispo de Roma. Mesmo que seja um decreto falso, é muito antigo e exerceu
grande influência.
Inocêncio
I (402-417). Demonstrou grande ousadia em explorar as reivindicações de
Roma, exigindo submissão universal a sua autoridade. Insistia que era a
obrigação de todas as igrejas ocidentais se conformarem aos costumes de
Roma.
Celestino
(422-432). Durante o exercício do seu papado foi resolvido a mui
agitada questão do direito de apelar a Roma decisões nas províncias.
Celestino manipulou as questões de uma maneira que sempre saía ganhando o
prestígio de Roma, até o ponto de dispensar os cânones de um concílio
geral.
Leão
I (440)-461). Homem humilde, insistia que era sucessor de Pedro e que
não se pode infringir a autoridade deste. Conseguiu do jovem e fraco
imperador Valentino III um edito em que este reconhece a primazia da sé
de Pedro e insiste que ninguém pode agir sem a permissão desta sé.
Gregório
I (589-604). Possivelmente o maior papa deste período. filho de um
senador, adotou o costume monástico. Pretendia ser missionário aos
ingleses quando foi consagrado papa aos 49 anos de idade. Reclamou que
Máximo foi eleito patriarca de Constantinopla no lugar de seu candidato e
suspendeu todos os bispos que o consagraram sob pena de anátema de Deus
e do apóstolo Pedro. Repreendeu o patriarca de Constantinopla por ter
assumido o título de bispo ecumênico.
A COROAÇÃO DE CARLOS MAGNO
Abriu
a história política e eclesiástica da Europa um novo período, no qual
os dois poderes o civil e o papal aparecem intimamente ligados, em busca
de ideal comum de poderio e domínio.
Leão
III (795-816). O período começa com Leão III assentado na cadeira
pontificial. Foi ele quem colocou Carlos Magno como imperador no ano
800.
Estevão IV (816-817). Este papa coroou o Rei Luiz o Pio, em Roma ato que elevou ainda mais a posiçao do papa.
Gregório
IV (827-844). Foi nos dias desse papa que apareceram falsos documentos a
favor da prerrogativa papal. Gregório defendeu Roma contra os
sarracenos.
Nicolau
I (858-867). Ascendeu a cadeira papal num momento de agitaçao e
desordens, aproveitando-se dos documentos falsos a favor da absoluta
soberania e irresponsabilidade do papado, procurou firmar os direitos de
supremacia do papa e de sua juridiçao suprema.
Adrião II (867-872). Trabalhou principalmente à sombra a influencia atingida pelo seu antecessor.
João
VIII (872-882). O maior problema durante o papado de Joao VIII foi a
ameaça sarracena, forçando-o a pedir ao novo imperador Carlos a sua
proteçao, mas Carlos e o papa aceitou o tratado humilhante com os
sarracenos.
O
período de 882 a 903 caracteriza-se pela torpe degradação do poder
papal. O poder papal enfraqueceu-se notadamente. As eleições
pontificiais feitas nesse período são memoráveis pela torpeza que as
acompanhou. O papa Formoso subiu ao poder em 891 e, dois anos depois de
sanguinolento pontificado, morreu, provavelmente envenenado.
Estevao
VI, foi aprisionado e morto. E depois foi eleito o Papa Marino, cujo
pontificado durou apenas meses. João X, feito papa, procurou abrogar os
atos de Estevão, e de fato abrogou muitos deles. Leão V, depois de um
breve pontificado, foi morto por seu próprio capelão seu sucessor, Mas
ao assassino coube o mesmo fim trágico, decorrido apenas oito meses.
No
período de 903 a 963 Com Sergio III, começa a influência perniciosa de
uma aventureira de alta linhagem sobre o governo papal. De 936 a 956 o
papado esteve sob inf1uência de Alberico que nomeou quatro papas. Um
filho do mesmo, sob o nome de João XIII, assumiu o ofício papal sendo o
seu pontificado havido como um dos mais imorais e licenciosos. Este papa
morreu assassinado,
Otão,
O Grande, fez sentir a sua interferência no papado em 983, com a
convocação de um sínodo para depor o imoral João XIII e substituí-lo por
Leão VIII. Duante este período, até 1073, foram nomeados vário papas e
os imperadores ficaram no direito de nomear e controlá-los para evitar a
dissolução completa do clero.
Hildebrando
(1073). Foi inquestionavelmente o maior estadista eclesiástico da Idade
Media. Seu objetivo foi tornar um fato o domínio universal e absoluto
do papado, e sua política subordinou-se completamente a este propósito.
Este papa tomou o nome de Gregório VII.
CONCÍLIO DE ROMA EM 1059
1- A nomeação do papa pelos bispos cardeais sancionada pelo clero cardeal e depois aprovada pelo clero inferior e os leigos.
2-
Nenhum oficial da igreja, sob pretesto algum, pode aceitar benefício
algum de qualquer leigo ou ser chamado a contar ou dar conta a
jurisdição.
3-
Nenhum cristão pode, assistir a missa rezada por padre de quem se sabia
ter concumbina, apesar da renhida oposição, Hildebrando executou a
risco esses decretos. No entanto a vitoria de Hildebrando, nunca foi
completa e permanente.
Inocêncio
III (1198-1216), aproveitou as prerrogativas papais fimando umas e
alargando outras. Foi durante seu papado que o poder papal, que evoluia
gradativamente através dos séculos chegou ao auge. Ele foi o maior papa
do século.
DECLINIO DO PODER PAPAL
Do
século treze em diante começa o suave declínio do poder papal para o
que concorreram fatos e circunstâncias históricas diferentes.
1- Com o século XIII desapareceu completamente o gosto pelas cruzadas.
2-
A corrupção constante na corte de Roma, o favoritismo e o mercantilismo
que presidiam as decisões do Papa e da Curia, igualmente estimulava a
dissidência.
3- Á imoralidade dominava o clero.
4- A cadeira papal era objeto de ambição mais desenfreada.
5-
A influência adquirida pelos franceses na Itália e Sicília após queda
dos imperadores germânicos foi sobremodo prejudicial ao papado.
Bonifácio
VII (1294-l303), subiu a cadeira pontífica no meio destas condiçoes tão
favoráveis ao papado, mas sem se adaptar a elas conservou aquele
espírito de arrogância e mandonismo, muito característico de seus
antecessores.
Em
1305, foi eleito um francês, Clemente V, como papa. Este não foi a
Roma, mas estabeleceu sua corte Papal em Avignon e tornou se subservinte
de Felipe rei da frança. Aqui, ele e seus sucessores todos franceses
serviram durante setenta anos. Tão notório se tornaram as condições que
os historiadores católicos estigmatizaram o período de cativeiro
babilônico do papado.
Em
virtude da presença da corte papal de Roma em Avignon, na França, a
Europa conseguiu muitas inimizades. O catolicismo dividiu-se, ficando
uma parte com a França e outra com a Itália. Aparecem então dois papas
um lançando maldições sobre o outro e cada qual julgando-se legítmo
chefe da cristandade.
Em1408,
houve uma conferência em Livorno, entre representantes dos dois papas e
um ano depois reunia-se um concílio geral em Pisa. Discutida largamente
a questão, ambos os papas foram declarados heréticos e excomungados. O
concílio elegeu então a Papa, o cardeal de Milão que tomou o nome de
Alexandre V.
A
questão não ficou resolvida, pois, três papas levantarar-se disputando a
cadeira pontificia, cada um formando em torno de si um considerado
número de admiradores.
O
pontificado de Nicolau V (l448-1455) foi notável, tendo sido construído
nesse tempo o Vaticano e a Basílica de São Pedro, considerados como
duas magnificas obras de arte. Talves nesta época tenha-se resolvido o
problema dos três papas.
Inocêncio
VIII (l484-l492). para melhorar a fortuna de seus filhos ilegítimos,
pelejou contra Napoles e recebia tributo anual de Sultão, por manter seu
irmão e rival na prisão em vez de envia-lo como cabeça de um exercito
contra os inimigos da cristandade.
Isto
se deu numa epoca de ignorância, senão no período do renascimento
literário e quando a Europa tinha entrado numa era de invenções e
descobrimentos destinados a transformar a civilizaçao. O estado de
desmoralização em que a Igreja Romana se achava na vespera da reforma
era um fato geralmente reconhecido.
As Cruzadas
Um
grande movimento da Idade Média, sob a inspiração e mandado da igreja,
foram as Cruzadas, que se iniciaram no fim do século onze.
-
A primeira cruzada foi anunciada pelo papa Urbano II, era composta de
275000 dos melhores guerreiros, para combater os Sarracenos que tinham
invadido Jerusalém. Após grande batalha Jerusalém foi reconquistada. A
-
A Segunda Cruzada foi convocada em virtude das invasões dos Sarracenos
às províncias adjacentes ao reino de Jerusalém. Sob a influência de Luiz
VII da França e Conrado III da Alemanha, um grande exército foi
conduzido em socorro dos lugares reconhecido como santos. Enfrentara
grandes dificuldades, mas obtiveram vitória.
-
A terceira Cruzada foi dirigida por Ricardo I " Coração de Leão", da
Inglaterra e outros como; Frederico Barbarroxa, Filipe Augusto.
Barbarroxa morrerá afogado e Filipe desentendeu-se com Ricardo I e
voltou para França. A coragem de Ricardo I, sozinho, não foi suficiente
para conduzir seu exército para Jerusalém. Contudo fez um acordo para
que os cristãos tivessem direito a visitar o santo sepulcro.
-
A Quarta Cruzada foi um completo fracasso, porque causou grande
prejuízo a igreja cristã. Os cruzados, se afastaram do propósito de
conquistar a Terra Santa e fizeram guerra a Constantinopla,
conquistaram-na e saquearam-na. Constantinopla ficou, posteriomente, a
mercê dos inimigos.
-
Na Quinta Cruzada, Frederico II, conduziu um exército até a Palestina e
conseguiu um tratado no qual as cidades de Jerusalém, Haifa, Belém e
Nazaré, eram cedidas aos cristãos. Porém 16 anos depois a cidade de
Jerusalém foi tomada pelos maometanos.
-
A Sexta Cruzada foi empreendida por São Luiz. Invadiu a Palestina
através do egito, mas não obteve êxito, foi derrotado pelos maometanos e
libertado por uma grande soma .
-
A sétima Cruzada teve também a direção de São Luiz juntamente com
Eduardo I. A rota escolhida foi novamente a África, porém São Luiz
morreu e Eduardo I voltou para ocupar o trono na Inglaterra e a cruzada
teve um fracasso total. Esta foi considerada a última Cruzada, porém
houve outras de menor vulto.
O Desenvolvimento da vida Monástica
Este
movimento desenvolveu-se grandemente na Idade Média entre homens e
mulheres, com resultados bons e maus. Com o crescimento dessas
comunidades, tornava-se necessária alguma forma de organização, de modo
que nesse período surgiram quatro grandes ordens.
A
Ordem dos Beneditinos Fundada por por São Bento em 529, em Monte
Cassino. Essa ordem tornou-se a maior de todas as ordens monásticas da
Europa. Suas regras exigiam obediência ao superior do mosteiro, a
renúncia a todos os bens materiais, e bem assim a castidade pessoal.
Cortava bosques, secava e saneava pântanos, lavrava os campos e ensinava ao povo muitos ofícios úteis.
A
Ordem dos Cistercienses Surgiram em 1098, com objetivo de fortalecer a
disciplina dos Beneditinos, que se relaxava. Seu nome deve-se a cidade
francesa de Citeaux, fundada por São roberto. Deu ênfase às arte,
arquitetura e especialmente à literatura, copiando e escrevendo livros.
A
Ordem dos Franciscanos fundada em 1209 por São Francisco de Assis.
Tornou-se a mais numerosa de todas as ordens. Por causa da cor que
usavam, tornaram-se conhecido como os "frades cinzentos".
A
Ordem dos Dominicanos Ordem esponhola fundada por São Domingos, em
1215. Os Dominicanos e os Franciscanos diferenciavam-se das outras
ordens, pois eram pregadores, iam por toda parte a fortalecer a fé dos
crentes.
No início, cada ordem monástica era um benefício para a sociedade. Vamos ver alguns bons resultados.
1.
Os mosteiros davam hospedagem aos viajantes, aos enfermos e aos pobres.
Serviam de abrigo e proteção aos indefesos, principalmente às mulheres e
crianças.
2.
Guardavam em suas bibliotecas muitas obras antigas da literatura
clássica e cristã. Sem as obras escritas nos mosteiros, a Idade média
teria passado em branco.
3. Os monges serviram como missionários na expansão do evangelho, até mesmo entre os bárbaros.
Apesar dos bons resultados que emanaram do sistema monástico, também houve péssimos resultados.
1. O monacato apresentava o celibato como a vida mais elevada, o que é inatural e contrário às Escrituras.
2. Impôs a adoção da vida monástica a milhares de pessoas das classes nobres da época.
3.
Os lares e as famílias foram, assim, constituídos não pelos melhores,
mas pelos de ideais inferiores, já que os melhores, não participavam da
família, nem da vida social, nem da vida cívica nacional.
4. O crescimento da riqueza dos mosteiros levou a indisciplina, ao luxo, à ociosidade e até a imoralidade.
No
início do século dezesseis, os mosteiros estavam tão desmoralizados no
conceito do povo, que foram suprimidos, e os que neles habitavam foram
obrigados a trabalhar para se manterem.
Início da Reforma Religiosa
Cinco
grandes movimentos de reformas surgiram na igreja; contudo, o mundo não
estava preparado para recebê-los, de modo que foram reprimidos com
sangrentas perseguições.
Os
Albigenses "Puritanos" surgiram em 1170 no sul da França. Eles
rejeitavam a autoridade da tradição, distribuíam o Novo Testamento e
opunham-se às doutrinas romanas do purgatório, à adoração de imagens e
às pretensões sacerdotais. O papa Inocêncio III, promoveu uma grande
perseguição contra eles, e a seita foi dissolvida com o assassinato de
quase toda a população da região.
Os
Valdenses Apareceram ao mesmo tempo, em 1170, com Pedro Valdo, que lia,
explicava e distribuía as Escrituras, as quais contrariavam os costumes
e as doutrinas dos católicos romanos. Foram cruelmente perseguidos e
expulsos da França; apesar das perseguições, eles permaneceram firmes, e
atualmente constituem uma parte do pequeno grupo de protestante na
Itália.
João
Wyclif Nascido em 1324, Recusava-se a reconhecer a autoridade do papa e
opunha-se a ela. Era contra a doutrina da transubstanciação,
considerando o pão e o vinho meros símbolos. Traduziu o Novo testamento
para o Inglês e seus seguidores foram exterminados por Henrique V.
João
Huss Nascido em 1369 foi um dos leitores de Wyclif, pregou as mesmas
doutrinas, e especialmente proclamou a necessidade de se libertarem da
autoridade papal. Foi excomungado pelo papa, e então retirou para algum
esconderijo desconhecido. Ao fim de dois ano voltou a convite da igreja
para participar de um concílio católico-romana de Constança, sob a
proteção de um salvo-conduto. Entretanto, o acordo foi violado sob o
pretexto de que "Não se deve ser fiel a hereges". Assim João Huss foi
condenado e queimado.
Jerônimo
Savonarola Nascido em 1452 foi monge Dominicano, em Florença. A grande
catedral enchia-se de multidões ansiosas, não só de ouví-lo, mas também
para obedecer aos seus ensinos. Pregava contra os male sociais,
eclesiásticos e político de seu tempo. Foi preso, condenado e enforcado e
seu corpo queimado na praça de Florença em 1498.
A Queda de Constantinopla
A
queda de Constantinopla, em 1453, foi assinalada como linha divisória
entre os tempos medievais e os tempos modernos. Província após província
do grande império foi tomada, até ficar somente a cidade de
Constantinopla, que finalmente, em 1453, foi tomada pelos turcos sob as
ordens de Maomé II. O templo foi transformado em mesquita.
Constantinopla ( Istambul ) tornou-se a capital do Império Turco e assim
terminou também o período da Igreja Medieval.
Resumo da Apostasia
Mencionaremos algumas das doutrinas que não tem apoio nas Escrituras Sagradas, e quando foram implantadas na igreja.
Ano Doutrina
310
Reza pelos defuntos, 320 Uso de Velas, 375 Culto dos santos, 431 Culto à
virgem Maria, 503 Obrigatoriedade de se beijar os pés do papa, 850 Uso
da água benta, 993 Canonização dos Santo, 1073 Celibato Sacerdotal, 1184
Instituição da Santa Inquizição, 1190 Venda de Indulgências, 200
Substituição do pão pela hóstia, 1215 Dogma da transubstanciação, 1229
Proibição da leitura Bíblica, 1316 Instituição da reza à Ave Maria, 1546
Introdução dos livros apócrifos, 1870 Dogma da infabilidade papal, 1950
Ascenção de Maria
VI A IGREJA REFORMADA
Desde a Queda de Constantinopla, 1453 Até ao Fim da Guerra dos Trinta Anos, 1648
A Reforma na Alemanha.
Neste
periodo de duzentos anos, o grande acontecimento foi a Reforma;
iniciada na Alemanha, e teve como resultado o estabelecimento de igrejas
nacionais que não prestavam obediência nem fidelidade a Roma. Anotemos
algumas das forças que conduziram à Reforma e ajudaram o seu progresso.
Uma dessas forças foi, o movimento conhecido como Renascença, ou
despertar da Europa para um novo interesse pela literatura, pelas artes e
pela ciência, isto é, a transformação dos médodos e propósitos
medievais em métodos modernos.
A
maioria dos estudiosos italianos desse período eram homem destituídos
de vida religiosa; até os próprios papas dessa época destacavam-se mais
por sua cultura do que pela fé. No norte dos Alpes, na Alemanha, na
Inglaterra, e na França o movimento possuía sentimento religioso,
despertando novo interesse pelas Escrituras, pelas línguas grega e
hebraica, levando o povo a investigar os verdadeiros fundamentos da fé,
independente dos dogmas de Roma. Por toda parte, de norte a sul, a
Renascença solapava a igreja católica romana.
A
invenção da imprensa veio a ser um arauto e aliado da Reforma que se
aproximava. A imprensa possibilitou o uso comum das Escrituras, e
incentivou a tradução e a circulação da Bíblia em todos os idiomas da
Europa. As pessoas que liam a Bíblia, prontamente se convenciam de que a
igreja papal estava muito distanciada do ideal do Novo Testamento. Os
novos ensinos dos Reformadores, logo que eram escritos, também eram logo
publicados em livros e folhetos, e circulavam aos milhões em toda a
Europa.
O
patriotismo dos povos começou a manifestar-se, mostrando-se
inconformados com a autoridade estrangeira sobre suas próprias igrejas
nacionais; resistindo à nomeação de bispos, abades e dignitários da
igreja feitas por um papa que vivia em um pais distante.
Não
se conformava, o povo, com a contribuição do "óbolo de S. Pedro", para
sustentar o papa e para a construção de majestosos templos em Roma.
Havia uma determinação de reduzir o poder dos concílios eclesiásticos,
colocando o clero sob o poder das mesmas leis e tribunais que serviam
para os leigos.
Enquanto
o espírito de reforma e de independência despertava a Europa, a chama
desse movimento começou a arder primeiramente na Alemanha, no eleitorado
da Saxônia, sob a direção de Martinho Lutero, monge e professor da
Universidade de Wittenberg.
O
papa reinante, Leão X, em razão da necessidade de avultadas somas para
terminar as obras do templo de S. Pedro em Roma, permitiu que um seu
enviado, João Tetzel, percorresse a Alemanha vendendo bulas, assinadas
pelo papa, as quais, dizia, possuíam a virtude de conceder perdão de
todos os pecados, não só aos possuidores da bula, mas também aos amigos,
mortos ou vivos, em cujo nome fossem as bulas compradas, sem
necessidade de confissão, nem absolvição pelo sacerdote. Tetzel fazia
esta indagação ao povo: "Tão depressa o vosso dinheiro caia no cofre, a
alma de vossos amigos subirá do purgatório ao céu." Lutero, por sua vez,
começou a pregar contra Tetzel e sua campanha de venda de indulgências,
denunciando como falso esse ensino.
A
data exata fixada pelos historiadores como início da grande Reforma foi
registrada como 31 de outubro de 1517. Na manhã desse dia, Martinho
Lutero afixou na porta da Catedral de Wittenberg um pergaminho que
continha noventa e cinco teses ou declarações, quase todas relacionadas
com a venda de indulgências; porém em sua aplicação atacava a autoridade
do papa e do sacerdócio. Os dirlgentes da igreja procuravam em vão
restringir e lisonjear Martinho Lutero. Ele, porém, permaneceu firme, e
os ataques que lhe dirigiam, apenas serviram para tornar mais resoluta
sua oposição às doutrinas não apoiadas nas Escrituras Sagradas.
Após
longas e prolongadas controvérsias e a publicação de folhetos que
tornaram conhecidas as opiniões de Lutero em toda a Alemanha, seus
ensinos foram formalmente condenados. Lutero foi excomungado por uma
bula do papa Leão X, no mês de junho de 1520. Pediram então ao eleitor
Frederico da Saxônia que entregasse preso Lutero, a fim de ser julgado e
castigado. Entretanto, em vez de entregar Lutero, Frederico deu-lhe
ampla proteção, pois simpatizava com suas idéias. Martinho Lutero
recebeu a excomunhão como um desafio, classificando-a de "bula execrável
do anticristo". No dia 10 de dezembro, Lutero queimou a bula, em
reunião pública, à porta de Wittemberg, diante de uma assembléia de
professores, estudantes e do povo. Juntamente com a bula, Lutero queimou
também cópias dos cânones ou leis estabelecidas por autoridades
romanas. Esse ato constituiu a renúncia defínitiva de Lutero à igreja
católica romana.
Em
1521 Lutero foi citado a comparecer ante a do Concílio Supremo do Reno.
O novo imperador Carlos V concedeu um salvo-conduto a Lutero, para
comparecer a Worms. Apesar de advertido por seus amigos de que poderia
ter a mesma sorte de João Huss, que nas mesmas circunstâncias, no
Concílio de Constança, em 1415, apesar de possuir um salvo-conduto, foi
morto por seus inimigos, Lutero respondeu-hes: "Irei a Worms ainda que
me cerquem tantos demônios quantas são as telhas dos telhados."
Finalmente, no dia 17 de abril de 1521 Lutero compareceuao Concílio. Em
resposta a um pedido de que se retratasse, e renegasse o que havia
escrito, após algumas considerações respondeu que não podia retratar-se,
a não ser que fosse desaprovado pelas Escrituras e pela razão, e
terminou com estas palavras: "Aqui estou. Não posso fazer outra coisa.
Que Deus me ajude. Amém." Instaram com o imperador Carlos para que
prendesse Lutero, apresentando como razão, que a fé não podia ser
confiada a hereges. Contudo, Lutero pôde deixar Worms em paz.
Enquanto
viajava de regresso à sua cidade, Lutero foi cercado e levado por
soldados do eleitor Frederico para o castelo de Wartzburg. Ali
permaneceu durante um ano, enquanto as tempestades de guerra e revoltas
rugiam no império. Entretanto, durante esse tempo, Lutero não permaneceu
ocioso; nesse período traduziu o Novo Testamento para a lingua alemã,
obra que por si só o teria imortalizado, pois essa versão é considerada
como o fundamento do idioma alemão escrito. Isto aconteceu no ano de
1521. O Antigo Testamento só foi completado alguns anos mais tarde. Ao
regressar do castelo de Wartzburg a Wittenberg, Lutero reassumiu a
direção do movimento a favor da igreja Reformada, exatamente a tempo de
salvá-la de excessos extravagantes.
Em
1529 a Dieta reuniu-se na cidade de Espira, com o objetivo de
reconciliar as partes em luta. Nessa reunião da Dieta os governadores
católicos, que tinham maioria, condenaram as doutrinas de Lutero. Os
principes resolveram proibir qualquer ensino do luteranismo nos estados
em que dominassem os católicos. Ao mesmo tempo determinaram que nos
estados em que governassem luteranos, os católicos poderiam exercer
livremente sua religião. Os príncipes luteranos protestaram contra essa
lei desequilibrada e odiosa. Desde esse tempo ficaram conhecidos como
protestantes, e as doutrinas que defendiam também ficaram conhecidas
como religião protestante.
A Contra-Reforma
Logo
após haver-se iniciado o movimento da Reforma, um poderoso esforço foi
também iniciado pela igreja católica romana no sentido de recuperar o
terreno perdido, para destruir a fé protestante e para enviar missões a
países estrangeiros. Esse movimento foi chamado Contra-Reforma.
Tentou-se
fazer a reforma dentro da própria igreja por via do Concílio de Trento,
convocado no ano de 1545 pelo papa Paulo III, principalmente com o
objetivo de investigar os motivos e pôr fim aos abusos que deram causa à
Reforma. O Concílio era composto de todos os bispos e abades da igreja,
e durou quase vinte anos, durante os governos de quatro papas, de 1545 a
1563. Todos esperavam que a separação entre católicos e protestantes
teria fim, e que a igreja ficaria outra vez unida. Contudo, tal coisa
não sucedeu. Fizeram-se, porém, muitas reformas na igreja católica e as
doutrinas foram definitivamente estabelecidas. Os próprios protestantes
admitem que depois do Concílio de Trento os papas se conduziram com mais
acerto do que os que governaram antes do Concílio. O resultado dessa
reunião pode ser considerado como uma reforma conservadora dentro da
igreja católica romana.
De
ainda maior influência na Contra-Reforma foi a Ordem dos Jesuítas,
fundada em 1534 pelo espanhol Inácio de Loyola. Era uma ordem monástica
caracterizada pela combinação da mais severa disciplina, intensa
lealdade à igreja e à Ordem, profunda devoção religiosa, e um marcado
esforço para arrebanhar prosélitos. Seu principal objetivo era combater o
movimento protestante, tanto com métodos conhecidos como com formas
secretas. Tornou-se tão poderosa a Ordem dos Jesuítas, que teve contra
ela a oposição mais severa, até mesmo nos países católicos; foi
suprimida em quase todos os países da Europa, e por decreto do papa
Clemente XIV, no ano de 1773, a Ordem dos Jesuítas foi proibida de
funcionar dentro da igreja. Apesar desse fato, ela continuou a
funcionar, secretamente durante algum tempo, mais tarde abertamente, e
foi reconhecida pelo papa em 1814. Hoje é uma das forças mais ativas
para divulgar e fortalecer a igreja católica romana em todo o mundo.
A
perseguição ativa foi outra arma poderosa usada para impedir o
crescente espírito da Reforma. É Certo que os protestantes também
perseguiram, e até mataram, porém geralmente isso aconteceu por
sentimentos politicos e não religiosos. Entretanto, no continente
europeu, todos os governos católicos preocupavam-se em extirpar a fé
protestante, usando para isso a espada. Na Espanha estabelceu-se a
Inquisição, por meio da qual inumerável multidão sofreu torturas e
muitas pessoas foram queimadas vivas. Nos Países-Baixos o governo
espanhol determinou matar todos aqueles que fossem suspeitos de
heresias. Na França o espírito de perseguição alcançou o climax, na
matança da noite de São Bartolomeu, 24 de agosto de 1572, e que se
prolongou por várias semanas. Segundo o cálculo de alguns historiadores,
morreram de vinte a setenta mil pessoas. Essas perseguições nos países
em que o governo não era protestante não só retardavam a marcha da
Reforma, mas, em alguns países, principalmente na Boêmia e na Espanha, a
extinguiram.
Os
esforços missionários da igreja católica romana devem ser recõnhecidos,
também, como uma das forças da Contra-Reforma. Esses esforços eram
dirigidos em sua maioria pelos jesuítas, e tiveram como resultado a
conversão das raças nativas da América do Sul, do México e de grande
parte do Canadá. Na India e países circunvizinhos estabeleceram-se
missões por intermédio de Francisco Xavier, um dos fundadores da
sociedade dos jesuítas. As missões católicas, nos países pagãos,
iniciaram-se séculos antes das missões protestantes e conquistaram
grande número de membros e bem assim poder para a respectiva igreja.
Como
resultado inevitável de interesses e propósitos contrários dos estados
da Reforma e católicos na Alemanha, iniciou-se então uma guerra no ano
de 1618, isto é, um século depois da Reforma. Essa guerra envolveu quase
todas as nações européias. Na história ela é conhecida como a Guerra
dos Trinta Anos. As rivalidades políticas e religiosas estavam ligadas a
essa guerra. Ás vezes estados que professavam a mesma fé, apoiavam
partidos contrários. A luta estendeu-se durante quase. uma geração, e
toda a Alemanha sofreu ou seus efeitos terríveis.
Finalmente,
em 1648, a guerra terminou, com a assinatura do tratado de paz de
Westfália, que fixou os limites dos estados católicos e protestantes,
que duram até hoje. O periodo da Reforma pode ser considerado terminado
nesse ponto.
VII A IGREJA ATUAL
Nos
últimos três séculos, nossa atenção dirigir-se-á especialmente para as
igrejas que nasceram da Reforma. Pouco depois da Reforma apareceram três
grupos diferentes na igreja inglesa:
- Os elementos romanistas que procuravam fazer amizade e nova união com Roma;
-
O anglicanismo, que estava satisfeito com as reformas moderadas
estabelecidas nos reinados de Henrique VIII e da rainha Elisabete;
-
E o grupo protestante radical que desejava uma igreja igual às que se
estabeleceram em Genebra e Escócia. Este último grupo ficou conhecido,
cerca do ano de 1654, como "os puritanos", e opunha-se de modo firme ao
sistema anglicano no governo de Elisabete, e por essa razão muitos de
seus dírigentes foram exilados.
Os
puritanos também estavam divididos entre si: uma parte mais radical,
era favorável à forma presbiteriana; a outra parte desejava a
independência de cada grupo local, conhecidos como "independentes" ou
"congregacionais". Apesar dessas diferenças, continuavam como membros da
igreja inglesa.
Na
luta entre Carlos I e o Parlamento, os puritanos eram fortes defensores
dos direitos populares. No início o grupo presbiteriano predominava.
Por ordem do Parlamento, um concílio de ministros reunido em
Westminster, em 1643, preparou a "Confissão de Westminster" e os dois
catecismos, considerados durante muito tempo como regra de fé por
presbiterianos e congregacionais. Após a Revolução de 1688, os puritanos
foram reconhecidos como dissidentes da igreja da Inglaterra e
conseguiram o direito de organizarem-se independentemente.
Do movimento iniciado pelos puritanos surgiram três igrejas, a saber, a Presbiteriana, a Congregacional, e a Batista.
Nos
primeiros cinquenta anos do século dezoito, as igrejas da Inglaterra, a
oficial e a dissidente, entraram em decadência. Os cultos eram
formalistas, dominados por uma crença intelectual, mas sem poder moral
sobre o povo. A Inglaterra foi despertada dessa condição, por um grupo
de pregadores sinceros dirigidos pelos irmãos João e Carlos Wesley e
Jorge Whitefield. Dentre os três, Whitefield era o pregador mais
poderoso, que comovia os corações de milhares de pessoas, tanto na
Inglaterra como na América do Norte. Carlos Wesley era o poeta sacro,
cujos hinos enriqueceram a coleção hinológica a partir de seu tempo.
João Wesley foi, sem dúvida alguma, o indiscutível dirigente e estadista
do movimento. Na idade de trinta e cinco anos, quando desempenhava as
funções de clérigo anglicano, João Wesley encontrou a realidade da
religião espiritual entre os morávios, um grupo dissidente da igreja
Luterana.
Em
1739 Wesley começou a pregar "o testemunho do Espírito" como um
conhecimento pessoal interior, e fundou sociedades daqueles que
aceitavam seus ensinos. A princípio essas sociedades eram orientadas por
dirigentes de classes, porém mais tarde Wesley convocou um corpo de
pregadores leigos para que levassem as doutrinas e relatassem suas
experiências em todos os lugares, na Grã-Bretanha e nas colônias
norte-americanas. Os seguidores de Wesley foram chamados "metodistas", e
Wesley aceitou sem relutância esse nome. Na inglaterra foram conhecidos
como "metodistas wesleyanos", e antes da morte de seu fundador,
contavam-se aos milhares.
Apesar
de haver sofrido, durante muitos anos, violenta oposição da igreja de
Inglaterra, sem que lhe permitissem usar o púlpito para pregar, Wesley
afirmava considerar-se membro da referida igreja; considerava o
movimento que dirigia como uma sociedade não separada, mas dentro da
igreja da Inglaterra. Contudo após a revolução norte-americana, em 1784,
organizou os metodistas nos Estados Unidos em igreja independente, de
acordo com o modelo episcopal, e colocou "superintendentes", titulo que
preferiu ao de "bispo". Nos Estados Unicos o nome "bispo" teve melhor
aceitação e foi por isso adotado. Nesse tempo os metodistas na América
eram cercade 14.000.
O
movimento wesleyano despertou clérigos e dissidentes para um novo poder
na vida cristã. Também contribuiu para a formação de igrejas metodistas
sob várias formas em muitos países. Na América do Norte, presentemente a
igreja metodista conta com aproximadamente onze milhões de membros.
Nenhum dirigente na igreja cristã conseguiu tantos seguidores como João
Wesley.
A
Igreja da Inglaterra (Episcopal), foi a primeira religião protestante a
estabelecer-se na América do Norte. Em 1579 realizou-se um culto sob a
direção de Sir Francis Drake, na Califórnia. O estabelecimento
permanente da igreja inglesa data de 1607, na primeira colônia inglesa
em Jamestown, na Virgima. A Igreja da Inglaterra era a única forma de
adoração reconhecida no início, na Virgínia e em outras colônias do sul.
A
igreja, nos Estados Unidos, tomou o nome oficial de Igreja Protestante
Episcopal. O crescimento da igreja Episcopal desde então tem sido rápido
e constante. Atualmente conta quase três milhões e meio de membros.
A
igreja Episcopal reconhece estas três ordens no ministêrio: bispos,
sacerdotes e diáconos, e aceita quase todos os trinta e nove artigos da
Igreja da Inglaterra, modificados para serem adaptados à forma de
governo norte-americano. Sua autoridade legislativa está concentrada em
uma convenção geral que se reúne cada três anos. Trata-se de dois
corpos, uma câmara de bispos e outra de delegados clérigos e leigos
eleitos por convenções nas diferentes dioceses.
Uma
das maiores igrejas existentes na América do Norte é a denominação
Batista, a qual conta com mais de vinte milhões de membros. Seus
princípios distintivos são dois: (1) Que o batismo deve ser ministrado
somente àqueles que confessam sua fé em Cristo; por conseguinte, as
crianças não devem ser batizadas. (2) Que a única forma bíblica do
batismo é a imersão do corpo na água, e não a aspersão ou derramamento.
Os
batistas são congregacionais em seu sistema de governo. Cada igreja
local é absolutamente independente de qualquer jurisdição externa,
fixando suas próprias regras. Não possuem uma Confissão de Fé nem
catecismo algum para instruir jovens acerca de seus dogmas. Contudo, não
há no país igreja mais unida em espírito, mais ativa e empreendedora em
seu trabalho e mais leal aos seus princípios, do que as igrejas
batistas.
Surgiram
os batistas pouco depois da Reforma, na Suíça, e espalharam-se
rapidamente no norte da Alemanha e na Holanda. No princípio foram
chamados anabatistas, porque batizavam novamente aqueles que haviam sido
batizados na infância. Na Inglaterra, a princípio, estavam unidos com
os independentes ou congregacionais, mas pouco a pouco tornaram-se um
corpo independente. Com efeito, a igreja de Redford, da qual João Bunyan
era pastor, cerca do ano 1660, e que existe até hoje, considera-se
tanto batista como congregacional.
Na
América do Norte a denominação batista iniciou suas atividades com
Roger Williams, clérigo da Igreja da Inglaterra expulso de Massachusetts
porque se recusou a aceitar as regras e opiniões congregacionais. Roger
fundou a colônia de Rhode Island, em 1644. Ali todas as formas de
adoração religiosa eram permitidas, e os membros de religiões
perseguidas em outras partes eram bem-vindos. De Rhode Island os
batistas espalharam-se rapidamente por todo o continente.
Depois
da Reforma iniciada por Martinho Lutero, as igrejas nacionais que se
organizaram na Alemanha e nos países escandinavos tomaram o nome de
luteranas. No início da história da colonização holandesa da Nova
Amesterdã, hoje Nova lorque, que se supôe haja sido em 1623, os
luteranos, ainda que da Holanda, chegaram a essa cidade. Em 1652,
solicitaram licença para fundar uma igreja e contratar um pastor.
Entretanto, as autoridades da Igreja Reformada da Holanda opuseram-se a
esse desejo, e fizeram com que o primeiro ministro luterano voltasse à
Holanda, em 1657. Os cultos continuaram a ser realizados, embora não
oficialmente. Contudo, em 1664, quando a Inglaterra conquistou Nova
Amsterdã, os luteranos conseguiram liberdade de culto.
Em
1638, alguns luteranos suecos estabeleceram-se próximo ao rio Delaware,
e construíram o primeiro templo luterano na América do Norte, perto de
Lewes. Porém a imigração sueca cessou até ao século seguinte. Em 1710,
uma colônia de luteranos exilados do Palatinado, na Alemanha,
estabeleceu a sua igreja em Nova Iórque e na Pensilvânia. No século
dezoito os protestantes alemães e suecos emigraram para a América do
Norte, aos milhares. Isso deu motivo à organizaçãodo primeiro Sínodo
Luterano na cidade de Filadélfia, em 1748. A partir daí as igrejas
luteranas cresceram, não só por causa da imigração, mas também pelo
aumento natural, sendo que atualmente há aproximadamente nove milhões e
meio de membros nas igrejas luteranas.
Uma
das primeiras igrejas presbiterianas dos Estados Unidos foi organizada
em Snow Hili, Marvland, em 1648, pelo Rev. Francis Makemie, da Irlanda.
Makemie mais seis ministros reuniram-se em Filadélfia, em 1706 e uniram
suas igrejas em um presbitério. Em 1716, as igrejas e seus ministros,
havendo aumentado em numero, e bem assim penetrado em outras colônias,
decidiram organizar-se em sínodo, dividido em quatro presbitérios
incluindo dezessete igrejas.
As
igrejas metodistas do Novo Mundo existem desde o ano de 1766, quando
dois pregadores wesleyanos locais, naturais da Irlanda, se transferiram
para os Estados Unidos e começaram a realizar cultos segundo a ordem
metodista. Não se sabe ao certo se Filipe Embury realizou o primeiro
culto em sua própria casa em Nova lorque ou se foi Roberto Strawbridge,
em Fredrick County, Maryland. Esses dois homens organizaram sociedades,
e, em 1768, Filipe Embury edificou uma capela na Rua João, onde funciona
ainda um templo metodista episcopal. O número de metodistas na América
do Norte cresceu. Por essa razão, em 1769, João Wesley enviou dois
missionários, Ricardo Broadman e Tomás Pilmoor, a fim de inspecionarem a
obra e cooperarem na sua extensão. Outros pregadores, sete ao todo,
foram enviados da Inglaterra, dentre os quais se destacou Francisco
Asbury, que chegou aos Estados Unidos em 1771. A primeira Conferência
Metodista nas colônias foi realizada em 1773, presidida por Tomás
Rankin. Porém, em razão do início da Guerra de Independência, todos os
pregadores deixaram o país; exceto Asbury, e a maior parte do tempo, até
que a paz foi assinada em 1783, ele esteve afastado.
Quando
o governo dos Estados Unidos foi reconhecido pela Grã-Bretanha, os
metodistas da América do Norte alcançavam o número de quinze mil.
AS ASSEMBLEIAS DE DEUS NO BRASIL
De 1910 até os dias atuais
A
maior igreja pentecostal de todos os tempos foi fundada a 18 de junho
de 1911 na cidade brasileira de Belém, capital do estado do Pará. Toda a
sua história está marcada por fatos sobrenaturais, acontecimentos
evidenciadores da presença do Espírito Santo, o que a coloca como fiel e
digna sucessora da igreja nascida no Dia do Pentecoste.
Os
missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, este ex-pastor da Swedish
Baptist Church, (Igreja Batista Sueca), de Menominee, Michigan, EUA,
foram os apóstolos tomados por Deus para o lançamento das primeiras
sementes, o Senhor os aproximou por ocasião de uma convençáo de igrejas
batistas reavivadas, em Chicago, quando sentiram o chamado para terras
distantes. Em mensagem profética, o Senhor lhes falou, mais tarde, na
cidade de South Bend, quando pela primeira vez ouviram o nome "Pará".
Consultaram um mapa e souberam, então, que se tratava de uma "Província"
(estado) do Brasil. Empreenderam uma jornada em que muitos
acontecimentos surpreendentes se verificaram, constituindo todos eles
evidentes provas de que Deus lhes testava a fé. A 5 de novembro de 1910,
os dois suecos deixavam Nova lorque, a bordo do navio "Clement",
oportunidade em que promoveram a evangelização dos tripulantes e
passageiros, registrando-se algumas decisões para Cristo. A chegada a
Belém do Pará deu-se a 19 de novembro.
Alojados
no porão da Igreja Batista, na rua Balby n.0 406, permaneciam muitas
horas em orações, suas vidas no altar de Deus. E, tão logo começaram a
falar em língua portuguesa, iniciaram trabalho evangelístico, enquanto
doutrinavam a respeito do batismo como Espírito Santo. Na pequena igreja
opunham-se alguns com grande resistência, aos ensinos dos dois
missionários.
A
8 de junho de 1911, Celina Albuquerque recebia o batismo com o Espírito
Santo e, no dia seguinte Maria Nazaré, sua irmã, tinha a mesma
experiência espiritual. Juntamente com elas, outros membros e
congregados foram expulsos do templo e organizavam, a 18 de junho de
1911, na residência de Henrique Albuquerque, no bairro da Cidade Velha,
Belém, a primeira igreja no mundo a adotar a denominação de Assembléia
de Deus. Gunnar Vingren foi, então, aclamado pastor da igreja.
Sucederam-no os pastores Samuel Nystron, Nels Julius Nelson, Francisco
Pereira do Nascimento, José Pinto Menezes, Alcebíades Pereira
Vasconcelos e Firmino Assunção Gouveia.
Da
igreja pioneira de Belém irradiou-se a obra pentecostal a todas as
regiões do Brasil, vindo a corresponder, a partir de 1960, a 70% no
quadro do evangelismo nacional. As Assembléias de Deus congregam 50 por
cento dos evangélicos brasileiros, predominando nas zonas rurais e no
interior, procurando alcançar, sobretudo, as classes sociais mais
humildes.
Durante
algumas décadas solitárias na aceitação da doutrina pentecostal, as
Assembléias de Deus constitmam uma minoria cruelmente perseguida. Nas
pequenas cidades, o clero católico romano, dominante e implacável,
contava sempre com o apoio de autoridades arbitrárias que fechavam
templos e agrediam e aprisionavam os membros da igreja. Muitas vezes
eram os crentes alvo de pistoleiros, que feriam e matavam, ocasiõesem
que costumavam ocorrer impressionantes interferências divinas. Estas
levaram muitos inimigos a se curvarem a Cristo, aceitando a mensagem da
Biblia Sagrada. Fazendeiros, pequenos comerciantes, operários hostis ao
Evangelho foram sendo tocados pelo poder de Deus e hoje predominam, ao
lado dos primeiros profissionais liberias, militares e funcionários
públicos que passam a aceitar que a concessão dos dons espirituais não
se circunscreve aos dos dias apostólicos, mas alcança os homens de todos
os séculos, depois que Jesus prometeu enviar o Consolador.
Dezenas
de milhares de membros das igrejas conservadoras (batistas,
presbiterianas, metodistas e outras) buscam atualmente o batismo com o
Espírito Santo e experimentam um avivamento sem precedentes. Enquanto as
denominações tradicionais em sua maioria, estacionam ou decrescem em
número de fiéis e de templos, os pentecostais inclusos os avivados,
(como são conhecidos os não integrantes das Assembléias de Deus) crescem
em todos os sentidos. As igrejas que crêem nos dons espirituais, e os
buscam, constroem dezenas e dezenas de templos, alguns com capacidade
para milhares de pessoas. As Assembléias de Deus se deslocam dos
subúrbios e das fazendas para o centro das grandes cidades.
A
obra missionária é também enfatizada em várias igrejas. A Assembléia de
Deus em São Cristóvão, Rio de Janeiro, destaca-se neste trabalho. É
responsável pelo envio de missionários a vários países da América do Sul
e à Africa. Outras igrejas, como a de Madureira, RJ; Belém e Brás,
bairros da cidade de São Paulo; Santo André, SP; Belém, PA, de estados
do Sul e alguns da região nordeste, também participam do esforço
missionário, que se torna a paixão de muitos homens e mulheres.
Na
literatura, destacam-se os nomes de Emilio Conde, que durante vários
anos dirigiu, como jornalista, os órgãos de divulgação das Assembléias
de Deus no Brasil e representou a igreja em congressos internacionais, e
de O.S. Boyer, o mais prolífero autor pentecostal radicado em terras
brasileiras.
Fato
novo e altamente significativo que se registra no meio pentecostal, nos
últimos anos, é o despertamento para o aprendizado, para o estudo
sistemático da Palavra de Deus. Alguns institutos passaram a funcionar e
outros se organizam e neles jovens de todo o Pais, ao lado de obreiros
veteranos, que também se despertam para o estudo, capacitam-se a
prosseguir, acompanhando a igreja no seu progresso e nos desafios que se
lhe apresentam na hora presente. Mantendo fidelidade às suas origens de
igreja que reconhece ser imprescindível a direção do Espírito Santo, as
Assembléias de Deus conscientizam-se da extraordinária responsabilidade
que passaram a ter como a maior comunidade pentecostal de todo o mundo.
Segundo
informação da Secretaria da Junta Executiva das Deliberações da
Convenção Geral das Assembléias de Deus no Brasil, as Assembléias de
Deus no Brasil reúnem 3 milhões de membros e 2 milhões de congregados (
1980 ).
Joanyr de Oliveira
A
forma de governo das Assembléias de Deus é congregacional, isto é, cada
assembléia governa-se a si mesma e age de forma independente, ao mesmo
tçmpo que mantém comunhão com as demais assembléias. As igrejas locais
unem-se umas às outras por meio de doutrinas e práticas mutuas que as
levam a cooperar em favor dos interesses gerais e do Distrito. Os
dirigentes da assembléias locais, dos Concílios Distritais e do Concílio
Geral têm poderes limitados na esfera da administração e são
considerados como servidores da organização. Eles exercem funções
eficientes de assessoramento dos ministros e das igrejas. As assembléias
locais têm certa dependência da organização, até que alcancem o
crescimento suficiente que justifique seu reconhecimento como
assembléias independentes. Recebem, então, auxílio para organizarem seus
estatutos, e podem dispor de assessores experimentados por parte dos
dirigentes do Distrito, quando isso for necessário. O caráter da
organização das Assembléias de Deus foi descrito por um ministro
presbiteriano, o qual declarou que na organização predomina o mesmo
espírito que predominava na primitiva igreja wesleyana. Contudo, existe
alguma diferença, pois as Assembléias de Deus não só ensinam a
necessidade do novo nascimento e a santificação pessoal, mas também
ensinam o privilégio de se receber o batismo pessoal do Espírito Santo, a
plenitude pentecostal. Esse batismo é acompanhado pelos mesmos sinais
mencionados no livro dos Atos dos Apóstolos, isto é, o falar em outras
línguas, segundo o Espírito. Possivelmente noventa por cento dos membros
afirmam haver recebido a promessa do Novo Testamento, e os dez por
cento restantes crêem nela firmemente.
Bibliografia
Historia do Cristianismo
A. Knight
A Era dos Mártires
A Era dos Gigantes
A Era dos Reformadores
Justo L. Gonzales
Bíblia Sagrada |