Os Anjos, e o Anjo do Senhor
“E subiu o Anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim e disse: Do Egito vos fiz
subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado, e disse:
Nunca invalidarei o meu concerto convosco.” Jz 2.1
A Bíblia menciona freqüentemente os anjos; o presente estudo provê uma noção geral do ensino bíblico a respeito dos anjos.
ANJOS.
A palavra “anjo” (hb. malak; gr. angelos) significa “mensageiro”.
Os anjos são mensageiros ou servidores celestiais de Deus (Hb 1.13,14),
criados por Deus antes de existir a terra (Jó 38.4-7; Sl 148.2,5; Cl
1.16).
(1) A Bíblia fala em anjos bons e em anjos
maus, embora ressalte que todos os anjos foram originalmente criados
bons e santos (Gn 1.31). Tendo livre-arbítrio, numerosos anjos
participaram da rebelião de Satanás (Ez 28.12-17; 2Pe 2.4; Jd 1.6; Ap
12.9; ver Mt 4.10 nota) e abandonaram o seu estado original de graça
como servos de Deus, e assim perderam o direito à sua posição celestial.
(2) A Bíblia fala numa vasta hoste de anjos bons
(1Rs 22.19; Sl 68.17; 148.2; Dn 7.9-10; Ap 5.11), embora os nomes de
apenas dois sejam registrados nas Escrituras: Miguel (Dn 12.1; Jd 1.9;
Ap 12.7) e Gabriel (Dn 9.21; Lc 1.19,26). Segundo parece, os anjos estão
divididos em diferentes categorias: Miguel é chamado de arcanjo (lit.:
“anjo principal”, Jd 9; 1 Ts 4.16); há serafins (Is 6.2), querubins (Ez
10.1-3), anjos com autoridade e domínio (Ef 3.10; Cl 1.16) e as miríades
de espíritos ministradores angelicais (Hb 1.13,14; Ap 5.11).
(3) Como seres espirituais, os anjos bons
louvam a Deus (Hb 1.6; Ap 5.11; 7.11), cumprem a sua vontade (Nm 22.22;
Sl 103.20), vêem a sua face (Mt 18.10), estão em submissão a Cristo (1Pe
3.22), são superiores aos seres humanos (Hb 2.6,7) e habitam no céu (Mc
13.32; Gl 1.8). Não se casam (Mt 22.30), nunca morrerão (Lc 20.34-36) e
não devem ser adorados (Cl 2.18; Ap 19.9,10). Podem aparecer em forma
humana (geralmente como moços, sem asas, cf. Gn 18.2,16; 19.1; Hb 13.2).
(4) Os anjos executam numerosas atividades na
terra, cumprindo ordens de Deus. Desempenharam uma elevada missão ao
revelarem a lei de Deus a Moisés (At 7.38; Gl 3.19; Hb 2.2). Seus
deveres relacionam-se principalmente com a obra redentora de Cristo (Mt
1.20-24; 2.13; 28.2; Lc 1—2; At 1.10; Ap 14.6,7).
Regozijam-se por um só pecador que se arrepende (Lc 15.10), servem em
prol do povo de Deus (Dn 3.25; 6.22; Mt 18.10; Hb 1.14), observam o
comportamento da congregação dos cristãos (1Co 11.10; Ef 3.10; 1Tm
5.21), são portadores de mensagens de Deus (Zc 1.14-17; At 10.1-8;
27.23-24), trazem respostas às orações (Dn 9.21-23; At 10.4); às vezes,
ajudam a interpretar sonhos e visões proféticos (Dn 7.15-16); fortalecem
o povo de Deus nas provações (Mt 4.11; Lc 22.43), protegem os santos
que temem a Deus e se afastam do mal (Sl 34.7; 91.11; Dn 6.22; At
12.7-10), castigam os inimigos de Deus (2Rs 19.35; At 12.23; Ap
14.17—16.21), lutam contra as forças demoníacas (Ap 12.7-9) e conduzem
os salvos ao céu (Lc 16.22).
(5) Durante os eventos dos tempos do fim, a
guerra se intensificará entre Miguel, com os anjos bons, e Satanás, com
suas hostes demoníacas (Ap 12.7-9).
Anjos acompanharão a Cristo quando Ele voltar (Mt 24.30-31) e estarão presentes no julgamento da raça humana (Lc 12.8,9).
O ANJO DO SENHOR.
É mister fazer menção especial ao “Anjo do SENHOR” (às vezes, “o Anjo de Deus”), um anjo incomparável que aparece no AT e no NT.
(1) Seu primeiro aparecimento foi a Agar, no
deserto (Gn 16.7); outros aparecimentos incluíram pessoas como Abraão
(Gn 22.11,15), Jacó (Gn 31.11-13), Moisés (Êx 3.2), todos os israelitas
durante o êxodo (Êx 14.19) e mais tarde em Boquim (Jz 2.1,4), Balaão (Nm
22.22-36), Josué (Js 5.13-15, onde o príncipe do exército do SENHOR é
mais provavelmente o Anjo do SENHOR), Gideão (Jz 6.11), Davi (1Cr
21.16), Elias (2Rs 1.3-4), Daniel (Dn 6.22) e José (Mt 1.20; 2.13).
(2) O Anjo do SENHOR realizou várias tarefas
semelhantes às dos anjos, em geral. Às vezes, simplesmente trazia
mensagens do Senhor ao seu povo (Gn 22.15-18; 31.11-13; Mt 1.20).
Noutras ocasiões, Deus enviava o seu anjo para suprir as necessidades
dos seus (1Rs 19.5-7), para protegê-los do perigo (Êx 14.19; 23.20; Dn
6.22) e, ocasionalmente, destruir os seus inimigos (Êx 23.23; 2Rs
19.34,35; Is 63.9). Quando o próprio povo de Deus rebelava-se e pecava
grandemente, este anjo podia ser usado para destruí-lo (2Sm 24.16,17).
(3) A identidade do anjo do Senhor tem sido
debatida, especialmente pelo modo como ele freqüentemente se dirige às
pessoas. Note os seguintes fatos:
- em 2.1, o anjo do Senhor diz: Do Egito Eu vos fiz subir, e Eu vos
trouxe à terra que a vossos pais Eu tinha jurado, e Eu disse: Eu nunca
invalidarei o meu concerto convosco (o grifo dos pronomes foi
acrescentado). Comparada esta passagem com outras que descrevem o mesmo
evento, verifica-se que eram atos do Senhor, o Deus do concerto dos
israelitas. Foi Ele quem jurou a Abraão, a Isaque e a Jacó que daria
aos seus descendentes a terra de Canaã (Gn 13.14-17; 17.8; 26.2-4;
28.13); Ele jurou que esse concerto seria eterno (Gn 17.7), Ele tirou
os israelitas do Egito (Êx 20.1,2) e Ele os levou à terra prometida (Js
1.1,2).
- Quando o anjo do Senhor apareceu a Josué, este prostrou-se e o adorou
(Js 5.14). Essa atitude tem levado muitos a crer que esse anjo era uma
manifestação do próprio Senhor Deus; do contrário, o anjo teria
proibido Josué de adorá-lo (Ap 19.10; 22.8-9).
- Ainda mais explicitamente, o anjo do Senhor que apareceu a Moisés na
sarça ardente disse, em linguagem bem clara: “Eu sou o Deus de teu pai,
o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó” (Êx 3.6; ver Gn
16.7 nota; Êx 3.2 nota).
(4) Porque o anjo do Senhor está tão
estreitamente identificado com o próprio Senhor, e porque ele apareceu
em forma humana, alguns consideram que ele era uma aparição do Cristo
eterno, a segunda pessoa da Trindade, antes de nascer da virgem Maria.
Espíritos Ministradores
"Quanto aos anjos, diz: Quem de seus anjos faz ventos, e de seus
ministros labaredas de fogo. ... Não são todos eles espíritos
ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a
salvação?" (Hb 1.6,7,14)
Anjos constituem uma raridade em nossos púlpitos, por isso estas páginas
foram escritas. Além disso, a insistência com que se explora essa
temática, especialmente pelos adeptos dessa onda de misticismo que tem
invadido as praias dos nossos dias, a ênfase dada pelo movimento da Nova
Era, que tem levado às raias do absurdo mais absurdo o assunto do mundo
angelical, e a exploração comercial em torno da ingenuidade e das
carências emocionais e afetivas do povo, é outro bom motivo para que se
reflita biblicamente sobre o tema.
Muita idéia de anjos vem de cartões de Natal, de procissões da Semana
Santa, de romances ou da mitologia grega (não fala de um anjinho,
Cupido, que lança uma flecha a qual, atingindo alguém, o torna enamorado
de outro? Muita idéia vem dessas fontes, e também do Movimento
Aquariano colocando no mesmo cesto fadas, duendes, gnomos, ondinas e
anjos.
PRIMEIRAS IDÉIAS
Os seguidores da atual onda mística afirmam que se pode incorporar os
anjos aos programas de autodesenvolvimento e auto-ajuda, do mesmo modo
com que fazem com as fadas, os duendes e outros seres míticos. E se é o
caso de termos uma descrição dos anjos de acordo com a Nova Era, dirão
eles o seguinte: "carinha linda, asas, roupas esvoaçantes e halo sobre a cabeça",
e completam dizendo que apreciam uma abordagem direta, têm grande senso
de humor (gostam de rir, portanto), são felizes, alegres, brincalhões,
amigáveis; o tempo não é um dos seus pontos fortes, e, desta maneira,
perdem-se em divagações, ou seja, a cabeça dos anjos não funciona muito
bem, não têm muita memória. Essas afirmações não se assemelham, nem de
longe, a qualquer das descrições ou características dos anjos de acordo
com a Bíblia Sagrada. E menos ainda, quando os místicos os confundem com
o que chamam de "elementais", e fazem a classificação dos seres no ar, na terra, na água e no fogo:
- no ar: fadas e silfos;
- na terra: gnomos, duendes, elfos, dríades e ninfas;
- na água: ninfas da água, náiades e ondinas;
- no fogo: salamandras.
Na verdade, essas esdrúxulas idéias e suas elaborações vêm de uma fonte
chamada gnosticismo, movimento filosófico-teológico que já nos primeiros
dias da Igreja Cristã deu muito trabalho. E isso porque enfatizava,
como enfatiza ainda hoje, a idéia de que os anjos são expressões ou
extensões de Deus, e pregam, também, que eram e são intermediários entre
os homens e Deus.
Uma coisa é certa: a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento,
trata esse assunto com muita seriedade, com o máximo de seriedade a
ponto de dar a melhor definição de quem sejam os anjos, a qual se
encontra em Hebreus 1.14;
"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" Hebreus 1.14
Ou como diz a Bíblia na Linguagem de Hoje:
"Então, o que são os anjos? Todos eles são espíritos que servem a Deus
e são mandados para ajudar os que vão receber a salvação". Hebreus 1.14
Martinho Lutero, o Reformador, expressou isso parafraseando Hebreus:
"O anjo é uma criatura espiritual sem corpo, criada por Deus para o serviço da Cristandade e da Igreja"
OUTROS CONCEITOS
A palavra anjo não é portuguesa. Na verdade, vem da língua grega através
do latim. Em grego, dizem aggelos, daí para o latim angelus e para o
português anjo. No Antigo Testamento, o vocábulo hebraico correspondente
é malach. Significam todas elas "aquele-que-traz-mensagem", "aquele-que-é-enviado", "mensageiro".
O Pr. Vassílios Constantinides, Diretor nacional da APEC e grego de
origem, confirmou-nos o que havia sido lido no dicionário. Disse: "em grego, 'carteiro' é "anjo", "o-que-traz-uma-mensagem". Palavra, portanto, que indica uma função. E, na Bíblia, vemos que Deus envia profetas como seus mensageiros,
"Que se responderá, pois, aos mensageiros da nação? Que o SENHOR
fundou a Sião, para que os opressos do seu povo nela encontrem refúgio.
Isaías 14.32
envia sacerdotes,
"Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e da
sua boca devem os homens buscar a lei porque ele é o mensageiro do
SENHOR dos Exércitos". Malaquias 2.7
diz que homens enviam outros homens.
"E enviou Jacó mensageiros adiante de si a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom". Gênesis 32.3
"Depois Moisés, de Cades, mandou mensageiros ao rei de Edom,
dizendo: Assim diz teu irmão Israel: Sabes todo o trabalho que nos
sobreveio," Números 20.14
"E tomou uma junta de bois, e cortou-os em pedaços, e os enviou a
todos os termos de Israel pelas mãos dos mensageiros, dizendo: Qualquer
que não seguir a Saul e a Samuel, assim se fará aos seus bois. Então
caiu o temor do SENHOR sobre o povo, e saíram como um só homem." 1
Samuel 11.7
"Então veio um mensageiro a Saul, dizendo: Apressa-te, e vem, porque os filisteus com ímpeto entraram na terra." 1 Samuel 23.27
De sorte, que a Bíblia apresenta o fato de
que anjos são personalidades com função determinada, ou seja, a de
trazer uma mensagem de Deus para nós.
A Bíblia não apresenta qualquer descrição
detalhada dos anjos. Eu, na verdade, nunca vi um anjo (apesar de Ariete
dizer que estou vivendo com um há 36 anos). A Bíblia menciona sua
existência como um fato, mostrando que têm eles uma parte relevante no
plano de Deus para o ser humano.
"Mandará o Filho do homem os seus anjos, e eles colherão do seu
reino tudo o que causa escândalo, e os que cometem iniqüidade." Mateus
13.41
Voltando à Carta aos Hebreus:
"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" Hebreus 1.14
Quero tomar duas palavras deste texto para servir de base para esta mensagem. Primeiramente, "espírito", e, em seguida, "ministradores".
ESPÍRITOS...
A idéia básica da palavra "espírito", por incrível que possa parecer, vem de "vento, ar". Realmente, tanto na língua hebraica quanto na grega, os vocábulos que se traduzem por "vento, ar, hálito, alento, respiração, fôlego e espírito"
são os mesmos. Tanto faz dizer ruach, que é a palavra hebraica, quanto
dizer pneuma, que é grega. Sim; o ar é algo muito real, mas não podemos
vê-lo a olhos vistos, com perdão da redundância. Podemos? Mas ele é
real: sabemos que ele nos circunda, mas não o vemos. Assim são os
espíritos, e assim são os anjos: reais, mas não os vemos, puros
espíritos. Filon de Alexandria os chamava de "incorpóreos" (apesar de poderem aparecer em certas ocasiões com corpos humanos).
"E subiu o anjo do SENHOR de Gilgal a Boquim, e disse: Do Egito vos
fiz subir, e vos trouxe à terra que a vossos pais tinha jurado e disse:
Nunca invalidarei a minha aliança convosco." Juízes 2.1
"Faz dos seus anjos espíritos, dos seus ministros um fogo abrasador." Salmos 104.4
"E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés." João 20.12
"E os sete anjos que tinham as sete pragas saíram do templo,
vestidos de linho puro e resplandecente, e cingidos com cintos de ouro
pelos peitos." Apocalipse 15.6
Mas a Bíblia prefere chamá-los de "espíritos", como em hebreus 1.14, "espíritos ministradores".
Aprendemos com a Bíblia que são superiores ao ser humano em inteligência, em vontade e em poder.
"17- Dizia mais a tua serva: Seja agora a palavra do rei meu senhor
para descanso; porque como um anjo de Deus, assim é o rei, meu senhor,
para ouvir o bem e o mal; e o SENHOR teu Deus será contigo.
20 -Para mudar o aspecto deste caso foi que o teu servo Joabe fez isto;
porém sábio é meu senhor, conforme à sabedoria de um anjo de Deus, para
entender tudo o que há na terra." 2 Samuel 14.17,20
Têm personalidade e responsabilidade moral
como nós o temos. No entanto, apesar de sua inteligência ser
sobre-humana, é limitada. Ou seja, não são oniscientes (só Deus o é),
não conhecem o futuro (isso pertence a Deus), não conhecem os segredos
de Deus.
"Porque, qual dos homens sabe as coisas do homem, senão o espírito
do homem, que nele está? Assim também ninguém sabe as coisas de Deus,
senão o Espírito de Deus." 1 Coríntios 2.11
"Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai." Mateus 24.36
Por causa da vontade livre deles, alguns anjos pecaram, e a Bíblia faz referência a essa Queda de um grupo de anjos.
"Porque, se Deus não perdoou aos anjos que pecaram, mas, havendo-os
lançado no inferno, os entregou às cadeias da escuridão, ficando
reservados para o juízo;" 2 Pedro 2.4
"E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua
própria habitação, reservou na escuridão e em prisões eternas até ao
juízo daquele grande dia;" Judas 1.6
O poder dos anjos que é delegado, nos supera em muito conforme tantos testemunhos na Escritura Sagrada.
"Então saiu o anjo do SENHOR, e feriu no arraial dos assírios a
cento e oitenta e cinco mil deles; e, quando se levantaram pela manhã
cedo, eis que todos estes eram corpos mortos." Isaías 37.36
"Enquanto os anjos, sendo maiores em força e poder, não pronunciam contra eles juízo blasfemo diante do Senhor." 2 Pedro 2.11
"Bendizei ao SENHOR, todos os seus anjos, vós que excedeis em
força, que guardais os seus mandamentos, obedecendo à voz da sua
palavra." Salmos 103.20
"E lançou-o no abismo, e ali o encerrou, e pôs selo sobre ele, para
que não mais engane as nações, até que os mil anos se acabem. E depois
importa que seja solto por um pouco de tempo." Apocalipse 20.3
Isso quer dizer, então, que os anjos têm
todos os elementos essenciais da personalidade, e além dos acima
mencionados, possuem sensibilidade, emoções, e são capazes de adorar a
Deus com inteligência (Sl 148.2).
E porque o Deus Vivo e Verdadeiro é Deus de ordem e não de confusão,
"Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as igrejas dos santos." 1 Coríntios 14.33
os anjos estão organizados em uma
hierarquia. E, realmente, amado, quando fazemos o estudo dos anjos,
distinguimos três etapas. Primeiramente, o que fala a Bíblia até o
Exílio na Babilônia; em seguida, do Exílio ao Novo Testamento, quando
veio Jesus e ministrou entre nós; e, por último, o Novo Testamento.
É interessante que do início da História Sagrada até o Exílio (c. 527
a.C.), observamos que não há uma angelologia elaborada. O que temos são
narrativas, bem lineares, até. E há uma presença marcante: a de uma
figura chamada "o Anjo do Senhor". Vemos no Gênesis, em Êxodo e outros dessa primeira fase, a sua presença ostensiva e marcante.
Do Exílio em diante, a crença, a princípio simples, vai tomar um
desenvolvimento muito especial. Existe, inclusive o surgimento de toda
uma literatura chamada pelos estudiosos do assunto de
intertestamentária, que surgiu entre o último profeta da Antiga Aliança
(Malaquias) e o primeiro da Nova Aliança (João, o Batista). Não são anos
de tanto silêncio, como geralmente se ensina. Há uma literatura
denominada intertestamentária, como já destacado, notadamente
encontramos literatura dessa época nos livros de Daniel e Zacarias,
livros que mencionam a presença de anjos.
O Novo Testamento, por sua vez, reflete os principais ensinos do Antigo
Testamento, e categorias e conceitos da literatura intertestamentária.
Anjos são organizados como um exército. Interessante e bonito isso! No
topo estão os arcanjos, anjos comandantes, chefes. Menciona em seguida
tronos, dominações, principados, potestades, virtudes, que sejam
designações hierárquicas dos anjos numa elaboração de um esquema bem
organizado (cf. Cl 1.16; Rm 8.38; Ef 1.21).
Paulo, em Efésios 6, coloca essas categorias ou hierarquias no exército do Maligno também.
"Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o
príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos
da desobediência." Efésios 2.2
"E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo." Colossences 2.15
Existe o exército de Deus, mas o Maligno
tem igualmente o seu com os mesmos princípios: um arcanjo, que é
Lúcifer, encontrando-se, do mesmo modo, principados, potestades,
dominações, etc. Paulo, mesmo, declara que Jesus Cristo já desarmou e
venceu essas forças da malignidade:
"e havendo riscado o escrito de dívida que havia contra nós nas suas
ordenanças, o qual nos era contrário, removeu-o do meio de nós,
cravando-o na cruz; e, tendo despojado os principados e potestades, os
exibiu publicamente e deles triunfou na mesma cruz" Colossences 2.14,15).
Na verdade, ainda sentimos os efeitos dessa força maligna porque ainda
estamos nesta carne, porque ainda estamos no tempo, mas a Bíblia já
declara a vitória do Senhor sobre as forças do Inferno. Jesus cravou na
cruz a nossa malignidade, o nosso pecado! Por essa razão, os crentes não
podem se desencaminhar pelo culto dos anjos, e Paulo fala disso também
nesse mesmo capítulo:
"Ninguém atue como árbitro contra vós, afetando humildade ou culto aos
anjos, firmando-se em coisas que tenha visto, inchado vãmente pelo seu
entendimento carnal" . Colossences 2.18
Esse culto aos anjos estava sendo levado
pelos gnósticos para dentro das igrejas, ensinando que os anjos eram
intermediários entre a pessoa e Deus. Está, aliás, retornando com toda
força como o faziam os gnósticos dos tempos apostólicos, como influência
do platonismo, e das escolas teosóficas que desaguaram no gnosticismo,
assim como influência da Cabala. Querem fazer os anjos superiores a
Cristo e ao Espírito Santo .Ele que é o nosso guia, e não os anjos;
"Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em
toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver
ouvido, e vos anunciará o que há de vir." João 16.13
"Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu
nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo
quanto vos tenho dito." João 14.26
"Porque todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus." Romanos 8.14
"Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei." Gálatas 5.18
querem elevar os anjos a divindades, mesmo que sejam divindades menores, os devas.
E os querubins e os serafins? Falamos há pouco sobre a hierarquia, e não
foram mencionados. Querubins e serafins não são, a rigor, anjos. Nunca
são apresentados na Bíblia como portadores de mensagens. Querubins são
símbolos dos atributos divinos. Onde há querubins, o divino está
presente ou está perto, razão porque são guardiães do jardim,
"E havendo lançado fora o homem, pôs querubins ao oriente do jardim
do Éden, e uma espada inflamada que andava ao redor, para guardar o
caminho da árvore da vida." Gênesis 3.24
da arca da aliança,
"18-Farás também dois querubins de ouro; de ouro batido os farás, nas duas extremidades do propiciatório.
20-Os querubins estenderão as suas asas por cima, cobrindo com elas o
propiciatório; as faces deles uma defronte da outra; as faces dos
querubins estarão voltadas para o propiciatório." Êxodo 25.18,20
do trono de Deus.
"Tu, que és pastor de Israel, dá ouvidos; tu, que guias a José como
a um rebanho; tu, que te assentas entre os querubins, resplandece."
Salmos 80.1
Defendem a santidade de Deus de qualquer pecado (Ezequiel 1.1-18).
E os serafins? A palavra serafim é interessante porque em hebraico o verbo saraph significa "arder, pegar fogo, queimar". O serafim é "aquele-que-queima"; o que queima purifica: é, então, "aquele-que-purifica".
São guardiães, também, da santidade do Eterno lembrando o fogo e sua
obra de purificação. E, realmente, só aparecem os serafins uma vez em
Isaías 6, na visão do profeta, com seis asas. A propósito, anjo tem
asas? Não; a figura das asas em anjos é para mostrar graficamente a
presteza, a velocidade com que executam as ordens de Deus. No entanto,
não vamos encontrar os mensageiros de Deus com asas em Sodoma, ou
guiando Agar no deserto, ou o povo de Deus na peregrinação no deserto. A
única menção é a dos serafins, e outra no Apocalipse a respeito de
anjos alados.
"E os quatro animais tinham, cada um de per si, seis asas, e ao
redor, e por dentro, estavam cheios de olhos; e não descansam nem de dia
nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o
Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir." Apocalipse 4.8
E o arcanjo? Na Bíblia só aparece o nome de
um que é Miguel. E tem ele sempre papel combativo. Quem é Miguel? Qual a
diferença de Miguel para Gabriel? Miguel é aquele que está relacionado a
missões guerreiras; é quem comanda as batalhas do Senhor. Então, sempre
que lerem ou ouvirem o nome Miguel, lembrem-se que é ele o anjo
guerreiro por excelência.
"E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o
dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;" Apocalipse 12.7
É o mensageiro da lei e do julgamento,
"E houve batalha no céu; Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão, e batalhavam o dragão e os seus anjos;
Mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou nos céus.
E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, chamada o Diabo, e
Satanás, que engana todo o mundo; ele foi precipitado na terra, e os
seus anjos foram lançados com ele.
E ouvi uma grande voz no céu, que dizia: Agora é chegada a salvação, e a
força, e o reino do nosso Deus, e o poder do seu Cristo; porque já o
acusador de nossos irmãos é derrubado, o qual diante do nosso Deus os
acusava de dia e de noite.
E eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho; e não amaram as suas vidas até à morte.
Por isso alegrai-vos, ó céus, e vós que neles habitais. Ai dos que
habitam na terra e no mar; porque o diabo desceu a vós, e tem grande
ira, sabendo que já tem pouco tempo." Apocalipse 12.7-12
e seu próprio nome que é, aliás, uma pergunta retórica, é um grito de batalha e significa "QUEM É COMO DEUS?"e tem como resposta: "Ninguém!" Quem pode ser como Deus? Um hineto muito apreciado em nossas igrejas canta:
"Quem é deus acima do Senhor? Quem é rocha como o nosso Deus?"
A resposta só pode ser uma: "Ninguém!" É isso o que Miguel, que sempre aponta para Deus, nos está lembrando!
E Gabriel? Agora é diferente. Se Miguel é o anjo guerreiro por
excelência, Gabriel é o que está relacionado com missões de paz. É o
contrário: Gabriel é o mensageiro das boas notícias, é o mensageiro das
mensageiro, o mensageiro da promessa de Deus, é o anjo da revelação, é
quem explica mistérios a respeito de futuros acontecimentos, até
políticos. É mencionado quatro vezes na Bíblia, e sempre como
mensageiro: Daniel 8.16; 9.21, e novamente no Evangelho de Lucas,
capítulo 1 notificando a Isabel e a Maria, sobretudo, que ela vai ser a
mãe do Salvador. Gabriel é um nome muito sugestivo e significa "Herói de Deus", "Valente de Deus", "Campeão de Deus".
...MINISTRADORES
Voltemos a Hebreus 1.14:
"Não são todos eles espíritos ministradores, enviados para servir a favor dos que hão de herdar a salvação?" Hebreus 1.14
O texto diz que, além de "espíritos", são os anjos "ministradores" a favor dos salvos. Qual é, então, o seu ministério?
Há uma ministração celestial e uma ministração terrena. Há um serviço litúrgico, cultual dos anjos na adoração ao Criador:
"Louvai-o, todos os seus anjos; louvai-o, todas as suas hostes!"
Ministério cultual, ministério de louvor. Também assistem o Senhor. Estavam presentes na Criação;
"Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus jubilavam?" Jó 38.7
estavam presentes na revelação da Lei;
"Vós, que recebestes a lei por ordenação dos anjos, e não a guardastes." Atos 7.53
"Logo, para que é a lei? Foi ordenada por causa das transgressões,
até que viesse a posteridade a quem a promessa tinha sido feita; e foi
posta pelos anjos na mão de um medianeiro." Gálatas 3.19
"Porque, se a palavra falada pelos anjos permaneceu firme, e toda a
transgressão e desobediência recebeu a justa retribuição," Hebreus 2.2
"Eu, Jesus, enviei o meu anjo, para vos testificar estas coisas nas
igrejas. Eu sou a raiz e a geração de Davi, a resplandecente estrela da
manhã." Apocalipse 22.16
estavam no nascimento de Jesus;
"E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:" Lucas 2.13
na tentação;
"Então o diabo o deixou; e, eis que chegaram os anjos, e o serviam." Mateus 4.11
no Getsêmani;
"E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia." Lucas 22.43
na ressurreição;
"E eis que houvera um grande terremoto, porque um anjo do Senhor,
descendo do céu, chegou, removendo a pedra da porta, e sentou-se sobre
ela." Mateus 28.2
e na ascensão.
"E, estando com os olhos fitos no céu, enquanto ele subia, eis que
junto deles se puseram dois homens vestidos de branco." Atos 1.10
Em todos esses eventos, os anjos estiveram presentes, e estarão, igualmente, na Parousia, a Segunda Vinda de Cristo.
"E ele enviará os seus anjos com rijo clamor de trombeta, os quais
ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra
extremidade dos céus." Mateus 24.31
"As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo." Mateus 25.3
"E a vós, que sois atribulados, descanso conosco, quando se
manifestar o Senhor Jesus desde o céu com os anjos do seu poder," 2
Tessalonicenses 1.7
Há uma ministração aos salvos. No programa
divino para nós, os anjos estão envolvidos em quatro tipos de
atividades: proteção, transporte, comunicação e vigilância.
Proteção ou guarda. Temos um grande conforto na Palavra Santa, que usa a abençoada expressão "O anjo do Senhor acampa-se ao redor daqueles que o temem e os livra". Porém, não estamos nos referindo ao chamado "anjo da guarda".
Esse é um conceito que vem da Igreja Majoritária. Basílio e Jerônimo,
teólogos da Igreja Antiga lançaram a idéia de que quando nasce uma
criança, a ela é atribuído um anjo para a guardar durante toda vida.
Interessante é que quando Orígenes disse que, ao mesmo tempo que um anjo
é colocado ao lado da criança, um demoniozinho também lhe é atribuído.
De um lado fica um anjinho tomando conta e do outro lado fica um
diabinho espicaçando cada um de nós. Essa é a razão porque nas histórias
em quadrinhos ou em desenhos animados aparece, numa hora de tentação, o
diabinho procurando tentar de todo jeito.
Essa idéia de anjo da guarda, então, está baseada no papel de um arcanjo
chamado Rafael, não mencionado na Bíblia, mas no livro apócrifo de
Tobias. Eu não creio em "anjo da guarda", mas creio, sim, em um "anjo-que-guarda". Creio no anjo do Senhor que nos guarda, de acordo com o que a Bíblia diz no Salmo 34.7. Ou ainda em Daniel 6.22 que diz,
"O meu Deus enviou o Seu anjo e fechou a boca dos leões, para que não
me fizessem dano, porque foi achada em mim inocência diante dele; e
também contra ti, ó rei, não cometi delito algum". Daniel 6.22
Temos outros exemplos notáveis no Antigo Testamento. No Segundo livro
dos Reis 6.15ss, há um exemplo dessa guarda. No Novo Testamento, no
capítulo cinco de Atos, também. Nesse ponto, alguém pode perguntar, "Pastor, acontece hoje também essa guarda dos anjos, ou isso aconteceu somente nas páginas da Bíblia?"
Isso ocorre ainda hoje. Na história de John Patton, missionário do
século passado nas Novas Hébridas, há uma página onde ele conta que
quando foi pregar o evangelho, era muito hostilizado. As tribos que ali
havia eram canibais e tentaram matá-lo com toda a família. Patton diz
que cercaram a sua casa e ele e a família começaram a orar durante toda a
noite. Fizeram uma vigília de oração porque estavam literalmente no
vale da sombra da morte. E eles oraram, e oraram, e quando um terminava
de orar o outro começava, o outro depois, o outro depois. Orou ele, a
esposa, os filhos oraram, quando terminava voltava toda aquela corrente
de orações. Os homens foram embora, saindo sem tocá-los. Cerca de um ano
depois dessa noite de terror, o chefe da tribo converteu-se ao
evangelho, e conversando com o missionário Patton, perguntou-lhe "Eu
queria saber uma coisa: nós estivemos cercando a sua casa para
matá-los. E não podíamos, porque durante a noite víamos aquele exército.
Onde é que você escondia aqueles homens todos durante o dia? Por que só
apareciam à noite?". E então o missionário respondeu que não havia mais ninguém, somente ele e sua família. O chefe disse, "Não,
de jeito nenhum, havia homens, sim. Eram de grande estatura, estavam
vestidos de branco e com espadas na mão. Os nativos ficaram com medo e
fugiram..." E o Pastor Patton entendeu que Deus havia mandado
os Seus anjos para proteger a família naquele vale da sombra da morte de
acordo com o que diz o Salmo 23.
Uma outra função dos anjos é de transporte. Mas não é quando há engarrafamento. Alguém pode pensar, "Bom,
eu acho que o pastor está atrasado porque houve um engarrafamento; não
vai haver problemas porque um anjo pega o pastor e traz para a igreja.
Afinal, são colegas, são dois anjos..." Não é assim. Essa função de transporte acontece na nossa morte. Está na Bíblia, Lucas 16.19-22:
"Havia certo homem rico que se vestia de púrpura e de linho finíssimo,
e vivia todos os dias regalada e esplendidamente. Havia também certo
mendigo, chamado Lázaro, que jazia cheio de chagas à porta daquele, e
desejava alimentar-se com as migalhas que caíam da mesa do rico. Morreu
o mendigo e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão". Lucas 16.19-22
Ele não foi acompanhado não, ele foi transportado segundo a Escritura Sagrada.
Uma outra função é a de comunicação. Mas não para aumentar a Bíblia.
Nada de chegar um anjo ensinando um novo evangelho para completar, como
acontece com os mórmons que ensinam que um anjo chamado Moroni passou
uma nova revelação a Joseph Smith. A Bíblia diz que é anátema
(maldição), se alguém aparecer querendo pregar um novo evangelho. Por
isso, não aceitamos o mormonismo, ou o islamismo que diz a mesma coisa, o
espiritismo com um evangelho à sua moda ou qualquer acréscimo ao
bel-prazer de qualquer tribunal canônico. Fujam de quem vem com uma
mensagem nova. Fujam de quem vem com uma nova revelação, seja pregador,
pregadora, ou um ser disfarçado de anjo.
Há uma outra função. É a de observação. Porque os anjos observam aquilo
que nós fazemos, os anjos são testemunhas do drama da salvação, os anjos
estão interessados na conduta dos crentes. O apóstolo Paulo diz,
"Tenho para mim que Deus a nós apóstolos, nos pôs por últimos como
condenados a morte. Somos feitos espetáculo ao mundo, aos anjos, e aos
homens". 1 Coríntios 4.9
Os anjos são testemunhas do drama da
salvação; estão interessados na conduta dos crentes segundo 1Coríntios
4.9 vêem o que nós fazemos. Eles estão especialmente o declara. A Bíblia
ensina que os anjos louvam e nos observam. Eles estão observando cada
um de nós porque são ministradores. Não é observar para dizer, "Ah, fulaninho está fazendo tal coisa. Vou anotar e dizer a Deus". Anjo não é alcagüete de Deus mas são nossos observadores, e a Bíblia diz que são até chamados como testemunhas.
"Conjuro-te diante de Deus, e do Senhor Jesus Cristo, e dos anjos
eleitos, que sem prevenção guardes estas coisas, nada fazendo por
parcialidade." 1 Timóteo 5.21
NO FUTURO
Há um futuro papel dos anjos. Está em Mateus 24. Diz que
"Quando o Senhor vier, Ele mandará Seus anjos para reunir os Seus eleitos de todos os quadrantes do mundo".
Onde houver um crente em Jesus Cristo, o
anjo vai lá e o trás no momento do grande Arrebatamento. Quando isso
acontecer, a palavra de Jesus ensina que são os anjos que virão nos
buscar.
Há valores teológicos inigualáveis nas declarações bíblicas sobre os anjos. Preciosíssimas lições:
* A primeira é que a Bíblia declara que ao lado
do mundo que nós vemos Deus criou um outro mundo de espíritos
invisíveis, de seres puros que O servem. A Deus e a nós também. No Salmo
103.20 está dito,
"Bendizei ao Senhor, anjos seus, magníficos em poder, que cumpris as suas ordens, que obedeceis à sua voz". Salmos 103.20
* A segunda lição que tiramos é que Deus não perdoa a rebeldia. Que é desobediência, orgulho, e atentado à ordem dos Seus planos.
"Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido." Jó 42.2
Por esse motivo, Deus não perdoou os anjos
que se rebelaram, os quais foram condenados à eterna separação Dele.
Deus não perdoa a nossa rebeldia também, a nossa insensatez, e a nossa
desobediência. E a Bíblia declara que "O salário do pecado é a morte".
* O ministério dos anjos na Bíblia é doutrina
importante, doutrina essencial para que entendamos a providência de Deus
e a direção soberana da Sua criação. Nós sabemos que a intervenção
guiadora dos anjos na dispensação da Lei é substituída pela direção do
Espírito Santo na dispensação do Novo Testamento. O Senhor não autoriza o
culto aos anjos. E a idéia de anjos medianeiros também é um absurdo
porque eles usurpam o lugar de Jesus Cristo. Os anjos são poderosos, mas
não são Deus; são poderosos, mas não são a Trindade; são poderosos, mas
não são o Espírito Santo; têm poder, mas não são Jesus Cristo, não são
mediadores, não têm o atributos de Deus, não possuem qualquer capacidade
de regenerar o ser humano.
* O estudo dos anjos nos enche com uma nova
visão e assombro pela grandeza de Deus. Especialmente quando pensamos
que os anjos, poderosos como são, adorando a Deus, cumprindo a Sua
vontade, são um exemplo para nós. Isso nos dá agora um senso de
humildade diante de Deus e de gratidão porque os anjos estão ao nosso
redor.
* A quinta lição é que os anjos apontam para a
nossa dignidade no futuro porque nós seremos iguais aos anjos de Deus, a
Bíblia diz.
* E a sexta, é que tudo isso nos encoraja e estimula a servir a Deus com a totalidade do nosso ser.
* E mais: Os anjos se alegram quando alguém se volta para Cristo. A palavra de Deus acerca disso nos ensina em Lucas 15.10,
"Há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende". Lucas 15.10
Que Deus nos auxilie a compreender e viver a reverência, a submissão e o
serviço que os anjos desempenham para que, deste modo, o que Jesus
expressou na Oração do Senhor seja pura realidade: "Seja feita a tua vontade assim na terra como no céu!"
|